
Sou forçado a, mais uma vez, pedir licença aos habituais leitores dos escritos devocionais deste espaço para, mais uma vez, tocar no árido terreno do cotidiano que nos cerca. Faço isso por julgar extremamente necessário. Quem quiser ir adiante na leitura, entenderá.
Uma certa onda de empolgação começa a se avolumar nas fileiras evangélicas, com o anúncio da pré-candidatura de Marina Silva à presidência da República pelo Partido Verde. Muito em breve, em se confirmando a notícia, surgirão comitês “evangélicos” pró-Marina, fazendo par com a militância ambientalista, de quem a ex-ministra se transformou em uma espécie de “símbolo”. É justamente por isso que a hipótese coloca tanto terror na candidatura de Dilma Rousseff, pois, se Marina estiver mesmo no páreo, muito do seu discurso simbólico perde o encanto frente a uma candidatura que é a própria encarnação das utopias da esquerda: mulher, com passado pobre, e ainda por cima, uma filha dos “povos da floresta”, para delírio das Ongs que contam com dinheiro europeu a fundo perdido.
Marina Silva é membro da Assembléia de Deus, a maior denominação pentecostal do país. Vale relembrar que a igreja de Marina é vista como uma espécie de reserva moral da igreja pentecostal, o que não é pouco, num cenário onde pululam as Universal e Renascer em Cristo da vida. Ano que vem, a se confirmar uma candidatura de Marina, veremos cenas que já foram vistas em eleições anteriores: pastores evangélicos desesperados para figurar como “papagaio-de-pirata” da candidata em eventos públicos, panfletos sugerindo que “irmão vota em irmão”, e outras cenas já vistas na campanha de Anthony Garotinho em 2002.
É prevendo isso que, num gesto solitário de quem não está acostumado ao espírito-de-manada que volta e meia toma conta do rebanho pentecostal que aviso: sou pastor evangélico, sou pentecostal, e apesar disso, NÃO VOTO em Marina Silva para a Presidência da República em 2010.
Não voto, porque não concordo com o discurso autoritário de que se deva votar em uma candidatura simplesmente por que a mesma se apresenta como ‘evangélica’, sem que se leve em conta sua biografia e as idéias que defende.
Não voto, porque Marina Silva sempre fez par com o pior tipo de ambientalismo – o que defende o imobilismo completo dos recursos naturais, em detrimento do desenvolvimento.
Não voto, porque Marina Silva está comprometida com Organizações indigenistas que defendem a falácia do “multiculturalismo”, em nome do qual se deveria tolerar o uso de psicotrópicos e o assassinato de bebês dentro de aldeias indígenas, somente porque “é típico da cultura deles”.
Não voto, porque Marina Silva e seu pupilo Carlos Minc costumam simplificar de forma grosseira as soluções para o meio ambiente, elegendo o agronegócio e os produtores rurais como inimigos. É mais fácil falar mal de quem planta soja do que prender quem desmata ilegalmente.
Não voto, porque Marina Silva defende o decreto irresponsável da Reserva Legal, que simplesmente congela 20% das propriedades rurais do Rio Grande do Sul sob o falso pretexto de preservação, o que resultará na queda de 20% do PIB rural e em desemprego.
Não voto, porque Marina Silva é defensora do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, uma organização que invade, que rouba, que pratica cárcere privado, esbulho possessório e assassinatos, tudo isso debaixo de uma mística pretensamente religiosa.
Não voto, porque Marina Silva tem o apoio de organizações e partidos defensores do aborto e de outras bandeiras do relativismo moral.
Marina Silva não me representa. E certamente não representará a muitos que concordam com este artigo.