
“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16:33)
Muitas são as dores e as angústias do ser humano, mas arrisco-me a dizer, baseado em alguma experiência e muita observação, que uma das maiores, com toda certeza, é a frustração gerada pela ingratidão. Conheço pessoas que poderiam ter tido uma trajetória brilhante, mas acabaram deixando que a decepção definisse suas escolhas. E isto também vale para pessoas que, no começo de sua jornada, eram dispostas, alegres, motivadas para servir e ajudar, mas ao longo do caminho, entre uma decepção aqui, uma traição acolá, foram se retraindo e terminaram por desistir, desiludidas por completo, ruminando uma queixa permanente contra traições do passado, permanentemente reacesas pela lembrança amarga.
A maioria das pessoas gosta de ajudar os outros, e sempre imagina que seu empenho em ajudar será proveitoso, nunca se preparando para a possibilidade de se decepcionar. Sei de pessoas que fizeram muito pela sociedade, mas que depois se fecharam por causa da ingratidão alheia. Esta postura é paternal e autoritária, pois não deixa espaço para que o outro, falhe conosco, e quando a falha ocorre, queremos culpá-las. Mas nem sequer paramos para avaliar se essa pessoa a quem ajudamos, estava preparada para reagir da forma como esperávamos.
Se há alguém perito em vencer decepções, é Cristo. Ele depositou total confiança em Judas, a ponto de colocá-lo como o tesoureiro do seu ministério (Jo 12:6). Mesmo ciente de que Judas ia traí-lo, Jesus o distinguiu na última ceia com o pão molhado no vinho (Jo 13:26), o que, segundo o costume judaico, era uma honra especial, como a lhe dar uma nova chance.
Creio que, na multidão de pessoas que xingava e cuspia em Jesus enquanto ele carregava a cruz, havia muitos cegos aos quais ele tinha dado a visão, paralíticos e leprosos que havia curado, e que agora se voltavam contra ele com ódio inexplicável. Mas ao invés de se tornar prisioneiro da frustração e do abandono, Jesus clamou ao Pai que os perdoasse, porque não sabiam o que faziam. Eles estavam, mas não eram cruéis.
Na hora da dor e da frustração, procure não se entregar à tristeza nem ao desespero. Deixe Jesus ser o seu modelo, e entenda que algumas vezes, as pessoas não são cruéis porque querem, mas porque nem sabem como reagir de outra forma. Não deixe a decepção tornar sua vida amarga. Perdoar, nestes casos, é seguir em frente.
Deus te abençoe abundantemente.
