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terça-feira, 14 de junho de 2011

A triste "viagem" de FHC



Nesta semana, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso completou 80 anos. O homem que se notabilizou nas ciências como um estudioso das desigualdades sociais e que – irrefutavelmente – contribuiu para o início de um ciclo virtuoso de emancipação econômica dos pobres do Brasil, retornou meses atrás ao debate público nacional, como principal líder de uma campanha, no mínimo, estranha: a descriminação do uso de todas as drogas, especialmente a maconha.
Junto com muitos brasileiros, considero Fernando Henrique o estadista mais importante de nossa história recente. Quanto mais recuamos no tempo, mais ficam claros os terríveis desafios que sua equipe teve de enfrentar para implantar o Plano Real, o Bolsa Escola, a estabilização da economia e da democracia, enfrentando uma oposição implacável e freqüentemente injusta com seu legado.
Entretanto, o fato de admirar seus feitos não me obriga a registrar, com decepção, os descaminhos dessa sua nova empreitada. Como pastor, acompanho o tema das drogas há algum tempo, e os males que sua disseminação produz na sociedade, o que me obrigou a buscar formação na área, através de um curso de Capacitação no Combate ao Uso Abusivo de Drogas, da Secretaria Nacional Antidrogas do Ministério da Justiça (criada, por sinal, no governo de FHC). Na formula que o ex-presidente defende, o uso de todas as drogas não seria mais criminalizado, mas o tráfico continuaria sendo proibido. Surpreende que o líder de um governo que revolucionou a economia não consiga perceber que esta seria a melhor alternativa para os traficantes, e isso graças a um conceito elementar da economia: a lei da Oferta e da Procura. Com o consumo liberado, aumentaria a demanda, mas a oferta continuaria reprimida, o que aumentaria o preço – e em conseqüência, os lucros – do crime organizado.
FH agora se tornou o herói dos militantes da legalização da maconha, que defendem o livre comércio da droga sob a alegação de que seria “menos nociva” do que certas drogas legais, como o álcool e o tabaco. Este argumento vai na contramão do que vem sendo feito pelas autoridades de saúde no Brasil – inclusive o então ministro da Saúde de seu próprio governo, José Serra – que conceberam ferramentas pra coibir o consumo de drogas legais. Ao invés de apoiar ações como a Lei Seca nas estradas e a proibição do cigarro em locais de uso público, o ex-presidente quer mais liberdade para viciados, onerando nosso já combalido Sistema Único de Saúde. Além disso, chamar a maconha de “leve”, justo uma droga capaz de provocar perda de memória, depressão, hiperemia conjuntival, taquicardia, alucinações e câncer, é no mínimo desonestidade intelectual.
Ao defender a descriminação das drogas, FHC faz graça para os intelectuais de esquerda - uma platéia que sempre o rejeitou, numa tentativa desesperada de lhes conseguir o aplauso. Pode ser até que consiga, mas será à custa de centenas de famílias destruídas e desagregadas por toda sorte de vícios, e que acreditam no caráter pedagógico da punição criminal para seu uso. Essa nova “viagem” do ex-presidente macula seus 80 anos para garantir a “curtição” de uma turma que prefere mudar a lei a se adequar a ela. Lamentável.

sábado, 21 de maio de 2011

Liberdade de crença: Um passo atrás?



Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? (1ª Co 10:29b)

Como qualquer nação do mundo, o Brasil também gosta de, vez por outra, ressaltar perante a comunidade internacional alguns dos traços culturais que o tornam diferente do resto do mundo. Mais do que simples país do futebol, o Brasil sempre prezou ser reconhecido como uma pátria multiétnica e de absoluta liberdade religiosa. O país que na visita do papa João Paulo II em 1981 era considerado o maior país católico do mundo, é hoje também o segundo maior país protestante, o maior país pentecostal e também o maior país do espiritismo, tudo isso sem ter perdido a liderança no rebanho católico-romano. Além disso, é a pátria onde judeus e muçulmanos são vizinhos em zonas comerciais, construindo um ambiente de tolerância e absoluta liberdade religiosa. Várias vezes os presidentes da Nação referiram-se, quando em solo estrangeiro, sobre a liberdade de credo como uma das marcas mais distintivas da identidade nacional.
Mas nem sempre a liberdade religiosa foi absoluta no Brasil. A religião oficial do Império era exclusivamente a católico-romana, e o brasileiro não-católico era um cidadão de segunda classe, que não poderia ocupar cargos públicos, por exemplo. A existência de outros credos era oficialmente tolerada, desde que praticassem sua fé exclusivamente dentro de seus locais de culto, que não poderiam ter nem mesmo a aparência exterior de templo. É por esta razão que a maioria das igrejas evangélicas brasileiras, até o dia de hoje, não possui torres, sinos ou outros traços arquitetônicos semelhantes. O cristão evangélico tinha a manifestação de sua fé restrita exclusivamente ao templo, porque para a Coroa, a fé evangélica era um credo estrangeiro que atentava contra a identidade nacional. Mais tarde, no período republicano, mesmo com a separação oficial entre Igreja e Estado, a ameaça hegemonista sempre rondou de perto os evangélicos, roçando as franjas do autoritarismo. Foram inúmeras as igrejas protestantes destruídas por ordem de sacerdotes e freis no Nordeste, do que dá testemunho a literatura de cordel.
Hoje, em pleno século XXI, um novo perigo ronda a liberdade de crença num país que ama ostentar ao mundo sua tolerância religiosa. Na busca legítima por punições contra atos de violência de que são vítimas, grupos de homossexuais erram o alvo, e ao invés de propor uma legislação mais dura contra a ação de bandos que os agridem nas ruas de São Paulo e Rio – como skinheads e outras facções de corte ideológico fascista – voltam suas baterias contra as igrejas cristãs em geral, e as evangélicas em particular. Sob o cândido apelido de “Lei da Homofobia”, o Projeto de Lei 122/2006 propõe, entre outras coisas, punir com x anos de cadeia quem praticar “violência filosófica” contra um homossexual. Na prática, a simples citação do trecho bíblico de Romanos que define a prática homossexual como pecado deixaria de poder ser mencionada, transformando parte da Bíblia Sagrada, que para os cristãos é a Palavra Viva, em “letra morta”.
Diante da forte reação negativa das igrejas e da sociedade civil, a senadora Marta Suplicy, responsável pelo desarquivamento da lei no Congresso Nacional, propôs uma manhosa alteração, isentando de punição as manifestações feitas em locais de culto, restringindo a liberdade constitucional de crença e consciência a um único espaço físico.
Em que pese as boas intenções de quem imaginou, através desta proposta, defender os direitos de uma parcela da população, não há como mitigar o seu viés autoritário e anticonstitucional. Sob o pretexto de promover os direitos de um grupo da sociedade, avança-se sobre as garantias constitucionais de toda a população. Sim, pois se hoje se defende restringir a liberdade de crença de alguns por “bons” motivos, nada impede que isso ocorra de novo, no futuro, por qualquer outra razão.
Se no passado, a desculpa para circunscrever a liberdade dos evangélicos aos limites das quatro paredes dos templos era o nacionalismo, hoje é o humanismo politicamente correto que busca transformá-los novamente em cidadãos de segunda classe, sem direito pleno à expressão de suas convicções, por mais anacrônicas que pareçam a alguns. É triste que valores com mais de dois mil anos de história estejam hoje na alça de mira de um pensamento que, a pretexto de pregar a tolerância, pode fazer o Brasil retroceder numa de suas características mais marcantes: a defesa absoluta da liberdade de crença como um patrimônio dos direitos humanos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Meio Ambiente e a Produção: o que a Bíblia diz?



"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26).

Há diversos meses, a sociedade brasileira acompanha com profunda atenção os debates que se travam no Congresso Nacional, em torno do projeto do novo Código Florestal. De um lado, ecologistas defendendo que a legislação permaneça como está, alegando que alterações podem colocar em risco a preservação de nossos recursos naturais, a Amazônia em particular. De outro, produtores rurais alegam a necessidade de uma lei ambiental que possua menos restrições à atividade produtiva, pois estes limites, segundo eles, servem mais para inibir o potencial da competitiva agricultura brasileira do que propriamente proteger o meio ambiente. Trata-se, sem dúvida, de um debate tensionado por dois radicalismos, que precisam encontrar seu ponto de equilíbrio e convergência no Congresso Nacional - aliás, esta é a função fundamental do Legislativo em qualquer democracia.
Trata-se de um tema de importância crucial para o futuro do país, e que por isso mesmo, deveria chamar a atenção dos cristãos. Preservação ambiental e produção de alimentos seriam mesmo questões inconciliáveis? Como a fé cristã trata deste assunto? O que a Bíblia nos diz sobre esse assunto? Quem é mais importante, a ecologia ou a alimentação humana?
O livro do Gênesis nos apresenta um relato poético da criação que é prenhe de significados. Ao entregar a Adão o cuidado do Jardim do Éden, Deus confiou ao ser humano a missão e a responsabilidade de zelar sobre a criação. Nos tempos em que as igrejas não estavam preocupadas demais com a prosperidade financeira de seus membros e ainda se pregavam as doutrinas fundamentais da fé, era comum se falar do tema "Mordomia Cristã", o conceito de que somos "mordomos" de Deus, ou seja, gestores dos bens que Ele, na sua infinita bondade e sabedoria, nos legou.
Todavia, é a natureza que deve estar a serviço do homem, e não o contrário, como apregoa o “biocentrismo”, corrente científica que não identifica diferenças substanciais entre o homem e os animais. Não se trata de verdadeira ciência, mas sim de uma ideologia a serviço do radicalismo ecológico. Este pensamento se tornou a metafísica mais influente no atual movimento ambiental, que parte do pressuposto que os desequilíbrios ambientais do planeta são "antropogênicos", ou seja, gerados principalmente pelo homem, o que nem de longe é consenso na comunidade científica.
A Bíblia é profundamente ecológica. Mas não respalda o tipo de ecologia radical que vê o homem como um estorvo ao meio ambiente. Antes, pelo contrário, a fé cristã defende que a natureza pode e deve estar ao serviço do desenvolvimento da humanidade, e que por isso mesmo o uso dos recursos naturais deve ser sustentável. Ou seja, não há dicotomia entre a produção de alimentos e a preservação ambiental, como faz crer o movimento ecológico moderno.
O tipo de ecologia alarmista que hoje se manifesta, num jogo onde se misturam interesses poderosos e inconfessáveis, tenta impor uma legislação que, na prática, confisca reservas de terra de milhões de pequenos produtores, impedindo-os de ser sinal de luz e esperança num mundo tão necessitado de alimentos. O Brasil, abençoado com uma natureza pujante e uma agricultura de ponta, pode e deve olhar para a inspiração contínua do Evangelho, sendo fonte de alimento para as gerações futuras do planeta. Há quem prefira um país engessado por uma legislação ambiental profundamente restritiva, movimentos cegados para a realidade por uma ideologia que idolatra a natureza em detrimento da dignidade humana. “Não se preocupe com eles. São cegos guiando outros cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco” (Mateus 15: 14).
Deus vos abençoe abundantemente.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

União Homoafetiva ou Retrocesso Constitucional?



“Portanto, dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:12)

Num julgamento que mobilizou as atenções de toda a sociedade civil, o Supremo Tribunal Federal promoveu um completo redesenho do conceito de entidade familiar, conforme expresso na Constituição Federal. Pela nova decisão, os casais homossexuais passam também a ser considerados como famílias. A decisão, apesar de ser polêmica na sociedade civil, foi aprovada pela unanimidade dos membros do STF aptos a julgar a causa. Outros temas que tinham maior penetração na sociedade, como a Lei da Ficha Limpa, nem de longe tiveram a mesma apreciação da nossa Suprema Corte.
As vozes contrárias à medida, tanto no que diz respeito ao mérito quanto à forma como foi aprovada, costumam ser satanizadas, especialmente se confessem a fé evangélica ou católica. Quando a CNBB ou uma igreja evangélica se pronunciam, logo surge alguém para lembrar que o Estado é Laico, querendo dizer que os cristãos não deveriam, de forma alguma, se pronunciar sobre temas da esfera pública, numa visão bastante peculiar e distorcida de democracia.
Como cristão, compreendo que a legislação civil não tem qualquer obrigação de recepcionar nossos valores, e que o Estado tem o dever de buscar o bem-estar de todos os seus cidadãos, independente de credo, raça e orientação sexual. Na verdade, o próprio Cristo instituiu claramente o princípio da separação entre Igreja e Estado, ao dizer “daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Entretanto, observar que dez ministros do STF decidiram reinterpretar a Constituição contrariando o que está no texto, é algo extremamente preocupante. O artigo 229 da Constituição afirma taxativamente que entidade familiar é aquela formada por homem e mulher. Para contrariar o que está escrito, os senhores togados apelaram para a poesia jurídica, criando uma interpretação, na prática, inconstitucional. Em outros casos, como a Lei do Ficha Limpa, metade dos juízes preferiu o que foi ignorado agora – a letra fria da lei.
Outro fato que me chamou a atenção no voto proferido pelos ministros, foi a má vontade com aquilo que foi chamado, num tom jocoso, de “família tradicional”. O ministro Ricardo Lewandowski foi bastante claro ao opor o “modelo heterossexual,de caráter patrimonial”, à família heteroafetiva, pra ele, “baseada no afeto”, quase como se não houvesse afeto nas relações heterossexuais, e como se a própria Ação julgada não buscasse direitos patrimoniais para os casais homoafetivos. Um viés ideológico de contestação à família como “núcleo da sociedade burguesa”, à moda Mark Poster. Há que se conceder direitos? Então mude-se a lei, mas não com o STF instituindo, na prática, uma nova legislação, furtando um papel que é do Legislativo. Se é verdadeiro o ditado que diz que o direito de um termina onde começa o de outro, as conquistas de um segmento da população não poderiam avançar às custas das garantias constitucionais de todos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Não somos racistas ou homofóbicos: uma atitude concreta


Externei aqui, neste blog, há alguns dias, minha indignação a respeito das declarações do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que baseado numa visão teológica tão difundida quanto errônea, afirmou que os negros carregam uma maldição hereditária. As declarações, além de teologicamente estapafúrdias, colaboram com os que pretendem expor os evangélicos do Brasil como uma desprezível horda de obscurantistas, pois isso fica bem para a agenda dos que querem aprovar leis liberticidas, como a PEC 122.

Entretanto, há ocasiões em que Deus nos convoca para a AÇÃO. Foi por isso que, aproveitando o ensejo de uma reunião da Bancada Gaúcha de Deputados Federais, apresentei á presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputada Manuela D'Ávila (PC do B) um documento contestando as argumentações "teológicas" do pastor-deputado, ao tempo em que expus nossos argumentos a respeito da inconstitucionalidade da PEC 122. É possível que não faça diferença no debate da CDH? Sim, mas ao menos nossa contribuição está lá, de forma oficial e efetiva. Não será por omissão que vamos permitir que o nome do Senhor seja enxovalhado.

Eis o texto que entreguei à deputada:

São Gabriel, 4 de abril de 2011


Exma. Sra. Dep. MANUELA D’ÁVILA
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
EM MÃOS


Senhora Deputada:


Ao cumprimentá-la, colhemos do ensejo em que Vossa Excelência se encontra em Porto Alegre para vos encaminhar o presente manifesto, na condição de pastor evangélico ligado á Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das maiores denominações pentecostais do país, e também como presidente da Associação Cultural e Beneficente Príncipe da Paz, pessoa jurídica de direito privado, associação civil de cristãos evangélicos voltada à filantropia e defesa dos valores cristãos na cultura da sociedade civil. É revestido, portanto, desta dupla responsabilidade que vimos à Vossa Excelência externar preocupações que são compartilhadas pelos cristãos evangélicos de todo o Interior do Rio Grande do Sul.
Há alguns dias, o Congresso Nacional delibera sobre o impacto de declarações do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), nas quais afirmou que os negros são herdeiros de uma maldição bíblica. Em sua defesa, alegou a própria afrodescendência, mas afirmou que sua concepção seria um ensino teológico comum a todos os evangélicos brasileiros.
Excelência, tal ilação consegue ser mais absurda que a primeira. É verdade que a idéia da Maldição de Cam é um erro teológico bastante difundido. Como teólogo, posso vos afirmar que este conceito foi empregado em 1826 pelo famoso sacerdote da inquisição católica, Juan Bautista de lãs Casas, como justificativa religiosa para a escravidão.
A Teologia Sistemática reconhece a existência dos conceitos de Bênção e Maldição, mas o mais correto é dizer que as maldições do Antigo Testamento são revogadas na pessoa de Jesus Cristo. que nos resgatou de toda maldição (Gl 3.13) e da lei do pecado da morte (Rm 8.2) e nos deu a liberdade, fazendo-nos filhos de Deus (Rm 8.15 e 16).
Discordamos radicalmente desta concepção equivocada do deputado Marco Feliciano. Todavia, compreendemos que por trás da repercussão dada à suas declarações, há um movimento que procura retratar os evangélicos brasileiros como um bando de detestáveis obscurantistas, de forma a minimizar nossas restrições a temas polêmicos como a PEC 122 – apelidada pela mídia de “Lei da Homofobia”, por nós definida como “Lei da Mordaça”.
Entendemos, deputada, que todo ser humano é livre para viver sua sexualidade da forma como melhor lhe aprouver, mas acreditamos que aprovar uma legislação que puna a simples manifestação de contrariedade com este tema, mesmo por razoes de crença, é um atentado inadmissível à liberdade de expressão.
É claro que repudiamos a violência contra homossexuais ou qualquer outra pessoa. Todavia, cremos que a Constituição já é suficiente para punir os que discriminam. Acreditamos que a PEC, da forma como está proposta, veda a liberdade de expressão de milhões de brasileiros, ameaçando, portanto, o Estado Democrático de Direito.
É fácil se comprometer com a liberdade de expressão quando se trata de defender pontos de vista com os quais concordamos. Todavia, nosso compromisso efetivo com a liberdade é testado diante de visões ou opiniões que discordamos frontalmente. Sendo Vossa Excelência uma parlamentar que foi eleita por um universo polifônico de pessoas – sei inclusive de muitos evangélicos que votaram em Vossa Excelencia -, apelamos para que encaminhe esta discussão para o bom senso. Afinal, cremos que os próprios homossexuais não querem a conquista de seus direitos sociais à custa da supressão do direito alheio.

Respeitosamente.


Pr. CLÁUDIO MOREIRA
Teólogo e Escritor

quinta-feira, 31 de março de 2011

Não, nós não somos racistas



“Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo”. (Atos dos Apóstolos, 13:1).

Olhando para os escombros da Cidade Santa devastada pelos babilônicos, o profeta Jeremias, que se cansou de tanto avisar a seu povo que se arrependesse para evitar o pior, só conseguia chorar e se perguntar: “O que fizeram com Jerusalém?”. Eu, uma formiga perto da eloqüência e de fé de Jeremias, olho para o espírito de rapina de alguns pastores de hoje e só consigo repetir a mesma oração, que me acompanha como um lamento: “Deus meu, o que estão fazendo com a tua Igreja?”. Como se precisasse mais um motivo para a mídia e a sociedade estereotiparem os cristãos evangélicos do Brasil como gente ignara, atrasada e preconceituosa, vem a público o pastor Marco Feliciano, estupidamente eleito deputado federal pelo PSC de São Paulo, e expõe em seu Twitter declarações racistas, sugerindo que os negros são gente amaldiçoada por Deus.
Não é de hoje que o pastor e hoje deputado Marco Feliciano faz das suas. Lembro que seu nome era figurinha carimbada nos congressos pentecostais dos Gideões Missionários da Última Hora. Logo, a história humilde do pastor que veio de baixo, que não era filho nem genro de nenhum medalhão influente do meio evangélico, cativou multidões. Eu mesmo, na meninice da minha fé cristã, cheguei a gostar das pregações do cara, antes que ele se transformasse nessa mistura lamentável de analfabetismo teológico, autoritarismo eclesiástico e vaidade exacerbada.
O que Feliciano disse no Twitter é um absurdo, mas lamentavelmente é um absurdo influente. Já ouvi até mesmo de pastores negros esta especulação teológica, que sugere que os negros teriam herdado a maldição imposta por Noé a seu filho Cam, ascendente bíblico dos africanos. Trata-se de um equívoco muito antigo. Quincin Duncan, no livro “Identidade Negra e Religião” relata que o sacerdote católico Juan Bautista Casas, em 1869, usava esta passagem bíblica para justificar o sistema escravocrata existente no Brasil. Muitos pastores protestantes da época lamentavelmente pensavam do mesmo modo, mas havia no Brasil pastores como Ashbel Green Simonton e Robert Kalley, que lutaram pela abolição e não toleravam que membros de suas igrejas tivessem escravos.
Não surpreende, portanto, que Feliciano reproduza essas asneiras. Alguém que, ao invés de fazer suas orações em Nome de Jesus costuma dizer “quem está te pedindo, Pai, é Marco Feliciano”, decididamente é capaz de tudo. Não, Feliciano, os negros não são amaldiçoados. Se essa é a mensagem do seu Cristianismo, com toda certeza não professamos a mesma fé.
O Cristianismo que eu conheço ensina que todas as maldições do Antigo Testamento, fossem elas contra sírios, negros ou judeus, foram substituídas pela Bênção da Nova Aliança. Jesus nos resgatou da maldição (Gl 3.13) e da lei do pecado da morte (Rm 8.2) e nos deu a liberdade, fazendo-nos filhos de Deus (Rm 8.15 e 16).
A Fé Cristã apregoada pelos apóstolos formou uma igreja multiétnica, multirracial, que tinha espaço para que um negro como Simeão e um irmão de Herodes como Manaém, fossem mestres e doutores da mesma igreja em Antioquia. A fé que eu proclamo é a da mensagem que Billy Graham pregou na Índia: “Este Jesus era um homem do oriente, que tinha uma pele mais escura que a minha e uma mensagem que vinha do Céu”. A mesma fé do bispo anglicano Desmond Tutu, do pregador Willian Seymour, do pastor Martin Luther King. A fé que fez do movimento pentecostal brasileiro a religião mais negra do Brasil.
Diante do Poder da Cruz, não há Maldição de Cam que resista.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como votou a "Bancada Evangélica" na questão do Salário Mínimo



Este post foge à natureza comum deste blog, predominantemente devocional. Entretanto, a necessidade de uma apologética combativa que produza um choque ético na Igreja Evangélica brasileira nos leva a publicar uma listagem completa dos nomes dos parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica, e como votaram no recente debate do Salário Mínimo.

O princípio que nos orienta nesta postagem não é de cunho ideológico, mas unicamente a defesa da transparência. Os evangélicos precisam saber como seus representantes estão votando.

"Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado" (Lucas 12:3).


Deputados Evangélicos que apoiaram o Salário Mínimo de R$ 545,00:

ADILSON SOARES (PR-RJ) – Igreja Internacional da Graça de Deus
AGUINALDO RIBEIRO (PP-BA) – Igreja Batista
ANDERSON FERREIRA (PR-PE) – Assembléia de Deus
ANDRÉ ZACHAROW (PMDB-PR) – Igreja Batista
ANTHONY GAROTINHO (PR-RJ) – Igreja Presbiteriana
ANTONIA LUCIA (PSC-AC) – Assembléia de Deus
ANTONIO BULHÕES (PRB-SP) – Igreja Universal do Reino de Deus
AUREO (PRTB-RJ) –
AUDÍFAX BARCELOS (PSB-ES) – Igreja Batista
BENEDITA DA SILVA (PT-RJ) – Igreja Presbiteriana
CLEBER VERDE (PRB-MA) – Assembléia de Deus
DR GRILO (PSL-MG) – Igreja Internacional da Graça de Deus
EDINHO ARAÚJO (PMDB-SP) – Igreja Presbiteriana Independente
EDIVALDO HOLANDA Jr. (PTC-MA) Igreja Batista
EDMAR ARRUDA (PSC-PR) – Igreja Presbiteriana Independente
EDUARDO DA FONTE (PSB-PE) -
EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ) – Comunidade Sara Nossa Terra
ERIVELTON SANTANA (PSC-BA) – Assembléia de Deus
FATIMA PELAES (PMDB-AP) – Assembléia de Deus
FILIPE PEREIRA (PSC-RJ) – Assembléia de Deus
GEORGE HILTON (PRB-MG) – Igreja Universal do Reino de Deus
GILMAR MACHADO (PT-MG) – Igreja Batista
HELENO SILVA (PRB-SE) – Igreja Universal do Reino de Deus
IDEKAZU TAKAYAMA – Assembléia de Deus
ÍRIS DE ARAÚJO (PMDB-GO) – Igreja Batista
JEFFERSON CAMPOS (PSB-SP) – Igreja do Evangelho Quadrangular
JOSUE BENGTSON (PTB-PA) – Igreja do Evangelho Quadrangular
LAERCIO OLIVEIRA (PR-SE) -
LAURIETE (PSC-ES) – Assembléia de Deus
LEONARDO QUINTAO (PMDB-MG) – Igreja Presbiteriana
LILIAM SÁ (PR-RJ) – Assembléia de Deus
LINCOLN PORTELA (PR-MG) – Igreja Batista Solidária
LOURIVAL MENDES (PTdoB – MA) – Igreja Batista
MARCELO AGUIAR (PSC-SP) – Igreja Renascer
MARCO FELICIANO (PSC-SP) – Assembléia de Deus (Avivamento da Fé)
MARCOS ROGÉRIO (PDT-RO) – Assembléia de Deus
MÁRCIO MARINHO (PRB-BA) – Igreja Universal do Reino de Deus
MARIO DE OLIVEIRA (PSC-MG) – Igreja do Evangelho Quadrangular
NEILTON MULIM (PR-RJ) – Igreja Batista
NILTON CAPIXABA (PTB-RO) – Assembléia de Deus
OTONIEL LIMA (PRB SP) – Igreja Universal do Reino de Deus
PASTOR EURICO (PSB-PE) – Assembléia de Deus
PAULO FREIRE (PR-SP) – Assembléia de Deus
PROFESSOR SÉTIMO (PMDB-MA) -
RONALDO NOGUEIRA (PTB-RS) – Assembléia de Deus
RONALDO FONSECA (PR-DF) – Assembléia de Deus
SILAS CAMARA (PSC-AM) – Assembléia de Deus
SABINO CASTELO BRANCO (PTB-AM) – Assembléia de Deus
SERGIO BRITO (PDT-BA) – Igreja Batista
SUELI VIDIGAL (PDT-ES) – Igreja Batista
VITOR PAULO (PRB-RJ) – Igreja Universal do Reino de Deus
WALNEY ROCHA (PTB-RJ) – Igreja Metodista
WALTER TOSTA (PMN-MG) – Igreja Batista Getsêmani
WASHINGTON REIS (PMDB-RJ) – Igreja Nova Vida
ZÉ VIEIRA (PR-MA) – Assembléia de Deus
ZEQUINHA MARINHO (PSC-PA) – Assembléia de Deus

Total: 56


Deputados que apoiaram valores maiores para o Salário Mínimo:

ANDREIA ZITO (PSDB-RJ) – Igreja Cristã Maranata
AROLDE DE OLIVEIRA (DEM-RJ) – Igreja Batista
BRUNA FURLAN (PSDB-SP) – Igreja Cristã do Brasil
DELEGADO FRANCISCHINI – Assembléia de Deus
HENRIQUE AFONSO (PV-AC) – Igreja Presbiteriana
JOÃO CAMPOS (PSDB-GO) – Assembléia de Deus
JORGE TADEU (DEM-SP) – Igreja Internacional da Graça de Deus
MANATO (PDT-ES) – Igreja Cristã Maranata
ONIX LORENZONI (DEM-RS) – Igreja Luterana
ROMERO RODRIGUES (PSDB-PB) -
RUY CARNEIRO (PSDB-PR) -
VAZ DE LIMA (PSDB-SP) – Igreja Presbiteriana Independente

Total: 12

ABSTENÇÃO:

LINDOMAR GARÇON (PV-RO) – Igreja do Evangelho Quadrangular
ROBERTO DE LUCENA (PV-SP) – Igreja Evangélica O Brasil para Cristo

Total: 02

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A ira do Twitter contra Silas Malafaia



Sou frontalmente contra as excentricidades teológicas que Silas Malafaia tem abraçado ultimamente. Entretanto, a questão aqui não trata de Teologia, e sim de Política, ou melhor dizendo, da tão desejada qualificação da presença evangélica no debate político brasileiro. E acho que falta reconhecer que é justamente a pessoas como Paschoal Piragine Jr. e Silas Malafaia que isto está acontecendo. Nesta eleição presidencial, depois de tantos epísódios como oração da propina e máfia das ambulâncias, estamos finalmente vendo ministros cristãos pautar temas de relevância para a sociedade, como a questão do aborto, por exemplo. Aliás, não fosse por estas manifestações, o assunto passaria batido na cobertura das eleições.

E estranho porque muitos ignoraram o fato de que Silas tem razão ao apontar a AMBIGÜIDADE da posição de Marina. Ora, um cristão não deve tergiversar sobre um tema desses com a conversinha de que "cabe à sociedade decidir". Se fosse assim, vamos logo fazer um plebiscito sobre linchamento de estupradores, já que boa parte da "sociedade civil" anseia por algo assim.

Marina faz jogo duplo pra não se queimar com os evangélicos nem com as bases tradicionais de seu partido: aquela turma "descolada" que gosta mesmo é de abraçar por-de-sol e fazer passeata fumando um baseadinho. E defender o aborto, claro.

Outra coisa. Silas já cumpriu um grande papel pra democracia do país: Derrubou a máscara de "tolerância" e "bonomia" com que os militantes marineiros tentavam ludibriar a opinião pública. Antes, eles quase não escondiam o constrangimento por Marina ser "evangélica" (o que pra eles equivale a retrógrada, medieval, atrasada, etc). Graças a Silas Malafaia, estão livres pra vomitar todo seu preconceito no Twitter. Sem ressentimentos.

Quanto a Caio Fábio, dizer o quê? Na certa está tentando recuperar a notoriedade dos bons tempos em que fabricava dossiês com aquele portento de moralidade pública chamado José Dirceu.

A Verdade é como Cristo: pode ficar enterrada certo tempo, mas ao terceiro dia sempre ressuscita.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pr. Paschoal Piragine Jr, um profeta do nosso tempo.

O caráter do ministério profético, a despeito do que pensam alguns que não conhecem Bíblia, consiste em anunciar a verdade e denunciar o erro. Se tivermos estas características em conta, não há como deixar de reconhecer o caráter profético desta ministração do pastor Paschoal Piragine Jr, pastor sênior da Primeira Igreja Batista de Curitiba.

http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sou Evangélico, mas não voto em Marina Silva



Sou forçado a, mais uma vez, pedir licença aos habituais leitores dos escritos devocionais deste espaço para, mais uma vez, tocar no árido terreno do cotidiano que nos cerca. Faço isso por julgar extremamente necessário. Quem quiser ir adiante na leitura, entenderá.


Uma certa onda de empolgação começa a se avolumar nas fileiras evangélicas, com o anúncio da pré-candidatura de Marina Silva à presidência da República pelo Partido Verde. Muito em breve, em se confirmando a notícia, surgirão comitês “evangélicos” pró-Marina, fazendo par com a militância ambientalista, de quem a ex-ministra se transformou em uma espécie de “símbolo”. É justamente por isso que a hipótese coloca tanto terror na candidatura de Dilma Rousseff, pois, se Marina estiver mesmo no páreo, muito do seu discurso simbólico perde o encanto frente a uma candidatura que é a própria encarnação das utopias da esquerda: mulher, com passado pobre, e ainda por cima, uma filha dos “povos da floresta”, para delírio das Ongs que contam com dinheiro europeu a fundo perdido.
Marina Silva é membro da Assembléia de Deus, a maior denominação pentecostal do país. Vale relembrar que a igreja de Marina é vista como uma espécie de reserva moral da igreja pentecostal, o que não é pouco, num cenário onde pululam as Universal e Renascer em Cristo da vida. Ano que vem, a se confirmar uma candidatura de Marina, veremos cenas que já foram vistas em eleições anteriores: pastores evangélicos desesperados para figurar como “papagaio-de-pirata” da candidata em eventos públicos, panfletos sugerindo que “irmão vota em irmão”, e outras cenas já vistas na campanha de Anthony Garotinho em 2002.
É prevendo isso que, num gesto solitário de quem não está acostumado ao espírito-de-manada que volta e meia toma conta do rebanho pentecostal que aviso: sou pastor evangélico, sou pentecostal, e apesar disso, NÃO VOTO em Marina Silva para a Presidência da República em 2010.
Não voto, porque não concordo com o discurso autoritário de que se deva votar em uma candidatura simplesmente por que a mesma se apresenta como ‘evangélica’, sem que se leve em conta sua biografia e as idéias que defende.
Não voto, porque Marina Silva sempre fez par com o pior tipo de ambientalismo – o que defende o imobilismo completo dos recursos naturais, em detrimento do desenvolvimento.
Não voto, porque Marina Silva está comprometida com Organizações indigenistas que defendem a falácia do “multiculturalismo”, em nome do qual se deveria tolerar o uso de psicotrópicos e o assassinato de bebês dentro de aldeias indígenas, somente porque “é típico da cultura deles”.
Não voto, porque Marina Silva e seu pupilo Carlos Minc costumam simplificar de forma grosseira as soluções para o meio ambiente, elegendo o agronegócio e os produtores rurais como inimigos. É mais fácil falar mal de quem planta soja do que prender quem desmata ilegalmente.
Não voto, porque Marina Silva defende o decreto irresponsável da Reserva Legal, que simplesmente congela 20% das propriedades rurais do Rio Grande do Sul sob o falso pretexto de preservação, o que resultará na queda de 20% do PIB rural e em desemprego.
Não voto, porque Marina Silva é defensora do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, uma organização que invade, que rouba, que pratica cárcere privado, esbulho possessório e assassinatos, tudo isso debaixo de uma mística pretensamente religiosa.
Não voto, porque Marina Silva tem o apoio de organizações e partidos defensores do aborto e de outras bandeiras do relativismo moral.
Marina Silva não me representa. E certamente não representará a muitos que concordam com este artigo.