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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Negritude e fé cristã: Um diálogo possível

Todo dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. Trata-se de uma celebração que rememora a morte de Zumbi dos Palmares, líder de um quilombo que lutou estoicamente contra as tropas pernambucanas até ser esmagado com violência no final do século 18. Em todo o país, seminários e mesas redondas são realizadas em escolas, com o propósito de educar para a tolerância e a igualdade. Não raramente, os alunos são apresentados a elementos da cultura afro-brasileira, como a culinária, expressões idiomáticas, e a religião – sempre e exclusivamente de raiz africana, como o Candomblé e a Umbanda. É aqui que temos uma situação que, além de criar um paradoxo do ponto de vista do Estado Democrático, comete também uma injustiça com muitos dos próprios negros. O Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador gaúcho Paulo Paim, conferiu um status diferenciado às chamadas religiões de matriz africana, o que lhes franqueia um acesso privilegiado a espaços públicos, como escolas, universidades e órgãos vinculados ao tema da igualdade racial. Na prática, com o propósito de combater o preconceito, o Estatuto da Igualdade Racial cria um novo padrão de preconceito religioso, transformando o Candomblé e a Umbanda em religiões com proteção especial, o que fere o caráter laico do Estado Brasileiro – que ultimamente só é evocada para retirar crucifixos de tribunais e o nome de Deus das cédulas de Real. Evidentemente que a religião é um traço indissociável da cultura, e que a religião afro-brasileira é um dos elementos constitutivos da cultura trazida pelos africanos. No entanto, evocá-la como única religiosidade “negra” é desconhecer a pluralidade e criatividade religiosa da negritude brasileira, que tem contribuições em todas as confissões, inclusive na fé cristã. Nunca é demais lembrar que o próprio Zumbi dos Palmares, teve acesso à educação formal através de um padre católico e era um devoto praticante, e na história do catolicismo as irmandades religiosas de negros se contam às centenas. No protestantismo, a fé pentecostal é, como diz o título de uma obra do pastor e ativista Marcos Davi de Oliveira, a religião mais “negra” do Brasil, com mais de 8 milhões de negros que se declaram pentecostais. O vocabulário, a expressão social, praticamente tudo no pentecostalismo está carregado com tonalidades negras, ainda que boa parte do próprio segmento desconheça isso. Nem poderia ser diferente, para uma vertente do cristianismo que deve seu surgimento a um afro-americano chamado Willian Seymour, filho de ex-escravos que se tornou o pai do Avivamento da Rua Azusa, de onde emanaram igrejas como Assembleia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Congregação Cristã e outras. A Bíblia Sagrada nos apresenta o profeta Amós revelando um Deus amoroso com todos os povos: “Não sois vós para mim, filhos de Israel, como os filhos dos etíopes?” (Amós 9:7), e a negritude de um dos profetas, Sofonias, “filho de Kush (Sf 1;1)”, o antigo império etíope de onde descendeu a Rainha de Sabá, de cuja união com o Rei Salomão se originaram os judeus falashas, negros etíopes com sangue e fé judaica. Era falasha o o
ficial que Felipe evangelizou, fazendo com que o Evangelho ultrapassasse as barreiras da Terra Santa. Portanto, a fé cristã deve muito do que hoje é aos negros e sua cultura, que fazem parte de sua história. Isso sem falar em irmãos de fé como Rosa Parks, Martin Luther King, Desmond Tutu e uma miríade de pastores negros, sem fama ou renome, que evangelizam em favelas, presídios e cidades de todo o país. Não se desconhece, entretanto, algumas abordagens infelizes da fé cristã em relação ao negro, como a lamentável teologia da “Maldição de Cam”, evocada pelo inquisidor católico Juan Batista de las Casas em 1826 e que em 2011 voltou a ser destaque na declaração infeliz de um conhecido parlamentar assembleiano. Na época, encaminhei um documento pessoal à Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Manuela D’Ávila, destacando que Cristo nos resgatou de toda maldição (Gl 3.13) e da lei do pecado da morte (Rm 8.2), revogando em si mesmo todas as imprecações do Antigo Testamento Sendo um quase-branco trisneto de imigrantes libaneses, talvez até alguém pudesse questionar minha legitimidade para este assunto. No entanto, creio firmemente que a igualdade racial é um debate que deve ser, sim, enfrentado no Brasil. Mas de uma forma que não reduza o negro à um certo racialismo mainstream altamente influente nos dias atuais. Mas que, pelo contrário, o negro possa se expressar dentro de sua pluralidade, sem uma tradição religiosa se impondo sobre as demais.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ministério: servir ou "se" servir?



“Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros” - João 13:14

A mesa está repleta. Cordeiro, ervas amargas, vinho, pão ázimo. A ocasião deveria ser de celebração. Afinal, estavam em um seder de pessach, um dos tantos rituais preparatórios para a Páscoa Judaica. Memória da libertação do povo judeu do Egito. Mas o verdadeiro Libertador estava assentado á mesa, comendo com eles, e sorria. Os discípulos, há pouco, tinham travado uma discussão tola. “Quem será o maior no Reino dos Céus?”, perguntavam. Poucos dias antes, viram como o povo saudava seu mestre, quando adentrou os portais de Jerusalém. Lembraram da Escritura Sagrada: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória”. Sim, ali estava o rei, e eles seriam seus ministros. Quem teria o cargo mais importante?
Ah, os homens e sua sede de poder. Jesus sabia. Viu isso nos seus apóstolos. Viu isso nos que seriam seus ministros nos dias atuais. Liderando igrejas como ditadores. Fazendo da expressão “ministro” uma posição de autoridade inquestionável, papal, quase um vice-deus. Um super-homem que “determina”, e as bênçãos acontecem, porque até o próprio Deus se sujeita.
Ministério é serviço. A palavra “ministro” vem do termo latino “minister”, que por sua vez, deriva de “minus”, ou seja, “menos”. O “minister” era o servo, o homem do serviço. Na antiguidade, havia o “minister cubiculi”, que era o servo encarregado de arrumar os quartos da casa; havia também o “minister vini”, que era o servo encarregado de manter as taças cheias de vinho nos banquetes. O ministro é chamado para servir.
Sem dizer uma palavra, Jesus dá o grande exemplo: deixa a mesa principal e parte para o serviço. Enrola uma toalha na cintura, e começa a lavar os pés dos apóstolos, que atônitos, não compreendiam. Esse ato nos dá a dimensão maior do ministério: somos chamados para servir. O apóstolo Paulo mostra no texto de I Tm.6.11, uma lista de qualidades que o ministro deve ter: justiça, piedade, fé, amor, paciência, mansidão. Todas são qualificações para a prestação de um serviço digno. Pena que nos dias atuais, estas qualidades estejam tão fora de moda. Ao invés do bom pastor capaz de deixar as 99 ovelhas para buscar a perdida, o comum é ouvir “deixa ir embora! Sai um, Deus manda mais dez”. Em que Bíblia isso está escrito, eles não dizem.
Ministério não é vitrine para o desfile de uma personalidade doentia, marcada pela vaidade; não é para os viciados em bajulação. Ministério é para trabalhadores da seara, servos. O teólogo e escritor John Stott, falecido no ano passado, dizia: “os pastores não estão sobre os crentes para governar, mas sim sob Cristo para obedecer”. Coerentemente, também ensinou que “o amor é muito mais um serviço do que um sentimento”. Minha oração é que o Corpo de Cristo tenha, cada dia mais, “ministros” na acepção original da Palavra, que como Jesus, saibam sair do seu lugar de honra para servir.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Feliz Ano Novo...Novo?




“Semeou Isaque naquela terra, e no mesmo ano colheu cem vezes mais, porque o Senhor o abençoava” (Gênesis 26;12)

Acidentes com mortes nas estradas, assaltos, chuvas acima da média na serra fluminense, crise na Europa, seca na nossa região... opa, estamos falando do início de que ano mesmo? Para quem olhar o noticiário, parece que o início de 2012 está seguindo à risca o script do começo do ano que passou. Como é que o novo ano parece ter começado tão semelhante a 2011? Será que não foram ouvidos os milhares de votos de Feliz Ano “Novo”?
O Ano Novo sempre traz uma renovação das esperanças, justamente pela promessa de ser novo, de ser diferente. Mas muitas pessoas se queixam que, ano após ano, a situação permanece a mesma. Como devemos agir para que o Novo Ano seja de fato novo, no sentido de ser realmente diferente?
A Bíblia nos fala de um homem chamado Isaque, que já desfrutava de uma proteção especial da parte de Deus por ser filho de Abraão, mas que se recusou a apenas viver à sombra do que foi construído pelo patriarca. Mudou-se para a terra dos filisteus, que seriam inimigos históricos de Israel pelo resto da vida (a palavra Filistéia foi traduzida, na língua latina, por Palestina). Mesmo num ambiente totalmente adverso, Isaque, agricultor como seu pai, fez sua semeadura naquele lugar, e diz a Bíblia que naquele mesmo ano colheu cem vezes mais, por causa do Favor de Deus. Ao redor dele, nada havia mudado, mas em sua propriedade, Isaque colheu um cêntuplo do que plantou.
Creio que esta passagem nos ensina sobre a atitude de fé que devemos ter em qualquer circunstância. Aparentemente, pode parecer que nada tenha mudado à sua volta com a passagem de ano, mas a mudança virá se você semear seus sonhos com fé na bênção de Deus. E semear, como Jesus ensina, significa aplicar o seu melhor na busca dos seus propósitos. “O semeador saiu a semear”. Há uma semente que Deus colocou dentro de você, e o nome dela é “potencial”. Se você deixar uma semente na estante, ela continuará tendo uma floresta dentro dela, mas não vai germinar. Por isso, para 2012 ser diferente, semeie seus sonhos. Não fique nas intenções. Planeje, construa, fracasse, tente de novo. Isaque só foi abençoado por Deus porque semeou primeiro. Faça a sua parte, e Deus fará a sua para um 2012 diferente.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Missão Autêntica x Missão Errônea


“Porque onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (Mateus 6:21)

Todos nós temos um propósito na vida, e identificá-lo é fundamental para viver uma vida de qualidade. Todo ser humano foi criado por Deus para cumprir um objetivo, uma missão, algo que seja nossa marca distintiva na geração a que pertencemos. Quando não cumprimos a missão para a qual Deus nos criou, acabamos achando outra coisa pro seu lugar, porque o ser humano simplesmente não pode viver sem propósito algum. Quando isso acontece, substituímos nossa missão autêntica, fazendo a vida girar em torno de algum outro objetivo egoísta e sem sentido. O resultado desta opção é sempre autodestrutivo, com a sensação de estar andando em círculos, sem sair do lugar, sem chegar ao alvo que Deus estabeleceu.
A Bíblia está cheia de relatos de homens e mulheres que, tendo uma missão especial dada por Deus, sucumbiram á sua Missão Enganosa. Adão e Eva, tendo recebido de Deus a missão de povoar a Terra e viver em intimidade com Deus, optaram pela missão enganosa mais comum: “ser como o próprio Deus”. Sansão, nascido para liderar o seu povo com justiça, sucumbiu diante de uma Missão Enganosa que o levava a buscar prazer e satisfação a qualquer preço, e acabou nas garras de uma mulher que levou embora toda sua força. Judas Iscariotes, tendo sido escolhido como um dos doze assessores diretos de Jesus, sucumbiu à ganância, e encontrou o remorso e o suicídio. Provavelmente você também conheça exemplos de pessoas que, mesmo tendo beleza, inteligência, e uma série de outros dons, acabaram sucumbindo à uma missão enganosa, que resume os objetivos reais da vida: conquistar aplauso, evitar frustrações a qualquer preço, satisfazer o ego em primeiro lugar... A missão enganosa diz respeito àquilo que realmente fazemos, não o que pensamos fazer.
No entanto, e felizmente, a Bíblia nos apresenta exemplos de pessoas que superaram sua missão enganosa e abraçaram o que Deus tinha pra suas vidas. Maria, mãe de Jesus, arriscou a reputação e o casamento ao aceitar a gravidez do Espírito Santo para obedecer a Deus. José do Egito evitou a vingança contra os irmãos para manter a unidade da família de onde, milênios mais tarde, viria o Messias. Jesus, mesmo pressionado para influenciar as pessoas sem sacrifícios, cumpriu a missão que Deus lhe dera: a Cruz, onde semeou nossa salvação.
Todos nós temos uma missão autêntica dada por Deus, e uma missão enganosa, com a qual nos entretemos. Descobri-la é fundamental para ter uma vida de qualidade. Faça um honesto auto-exame, e quando você sentir o “dedo na ferida”, terá identificado o propósito errôneo contra o qual deve lutar. Podemos viver de ilusões e alegrias momentâneas ou viver a plenitude que Deus tem pra cada um de nós. A escolha é sua.
Deus te abençoe abundantemente.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Usando a Chave de Davi



Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há-de abrir, sem que ninguém possa fechar; há-de fechar, sem que ninguém possa abrir (Isaías 22;22)

Nos diversos livros da Bíblia Sagrada, alguns deles escritos com espaços de séculos entre si, podemos encontrar algumas expressões simbólicas recorrentes. A expressão “Chave de Davi”, por exemplo, surge nas proclamações proféticas de Isaías, e também aparece, mais de 700 anos depois, no livro de Apocalise, numa das sete cartas enviadas pelo já velho e exilado apóstolo João às sete igrejas da Ásia Menor (atual Turquia), mais especificamente na carta à igreja de Filadélfia, praticamente repetindo as expressões do profeta hebreu: “Dar-te-ei as chaves de Davi, que fecha e ninguém abrirá, que abre e ninguém fechará” (Ap 3:7).
Como toda expressão simbólica, o significado das Chaves de Davi sempre foi controverso ao longo da história. Alguns teólogos católicos afirmavam que esta passagem autorizava a existência do pontificado romano, insinuando que a Chave de Davi seria a insígnia característica do emblema do Vaticano. Porém, os próprios teólogos católicos ressaltam que o símbolo do papa são as chaves de Pedro, o Apóstolo, não de Davi, que a rigor, foi um pastor e um rei, não lidava diretamente com chaves, no sentido estrito.
Se a Bíblia garante que a Chave de Davi é algo necessário para abrir portas que ninguém poderá fechar, então devemos entender o que de fato elas representam. O Antigo Testamento nos mostra que, desde sua tenra idade como pastor de ovelhas até o final de sua vida como o maior rei da história de Israel, Davi manteve uma característica: o Louvor a Deus. Com sua harpa, aplacava os demônios interiores de Saul, e como rei, compôs salmos e hinos que constituíam parte fundamental da religião judaica, e até hoje fazem parte da Bíblia cristã.
A Chave de Davi, sem dúvida, é o Louvor. E os Filhos de Deus, ao aceitarem servir a Jesus, recebem espiritualmente a posse das Chaves de Davi, ou seja, a capacidade de usar o Louvor como ferramenta capaz de abrir portas fundamentais na nossa vida. Quando, ao invés de reclamar no meio de uma dificuldade, cantamos um louvor de exaltação a Deus, estamos usando a mais poderosa ferramenta que nos foi dada para triunfar sobre as adversidades.
As Chaves de Davi pertencem a todo Filho de Deus. Use-as sempre que precisar. No meio da luta, da maior dificuldade, louve a Deus com fervor, e você receberá o poder necessário para vencer gigantes.
Deus te abençoe abundantemente.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Não tem Preço



“A Lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma” (Salmo 19:7ª)

Há uma peça publicitária de uma empresa de cartões de crédito que fez tanto sucesso que se transformou em parte da cultura pop, sendo reproduzida em piadas e outras criativas brincadeiras em redes sociais. Ao apresentar uma situação qualquer (um jogo de futebol, um passeio no parque), o locutor vai falando preços dos itens mostrados, numa escala crescente até descrever a sensação proporcionada pela compra, com os dizeres: “não tem preço”.
Todo mundo tem, na sua escala de valores, algo que não tem preço. E muitos buscam naquilo que tem preço, algo que deveria ter apenas valor. Ao longo da vida, buscando um sentido para a existência, muitos buscam a felicidade em certos valores intangíveis: fama, luxo, poder, status. Entretanto, a Bíblia nos revela que o valor fundamental, que dá efetivo equilíbrio à vida humana, é bem mais simples, e em língua portuguesa, atende por um nome de três letrinhas apenas: Paz.
Jacó, filho de Isaque, buscava a realização pessoal a qualquer preço. Ludibriou o irmão para conquistar a bênção da primogenitura, e enganou o próprio pai, passando-se pelo irmão para ser abençoado. A sina de “suplantador” (o significado da palavra “Jacó”) o acompanhava, mas todo o resultado de sua grande esperteza foi se tornar um fugitivo no meio do deserto, temendo pela própria vida, sem morada ou paradeiro. Ele só encontrou aquilo que buscava, quando entregou seu coração a Deus. Obedecendo aos propósitos de Deus, reconciliou-se com o irmão, recuperou-se de anos e anos de exploração pelo próprio sogro e casou com a mulher de sua vida.
Nossa sociedade atual aplaude o “malandro”, pela esperteza ou sagacidade com que passou a perna nesse ou naquele. Mas são aplausos que desaparecerão no momento da dificuldade, e que não compensam o medo e a ansiedade de quem vive de sortilégios. A pessoa que, ao contrário, vive de acordo com os valores da Palavra de Deus, sempe terá paz em sua alma, por saber que não precisa pensar em grandes expedientes para “se dar bem”. Para quem faz a vontade de Deus, Ele providencia tudo.
Pisar no pescoço alheio pra ter fama, status ou poder? Não, obrigado. Viver com paz de espírito e sob a proteção de Deus, não tem preço.
Deus te abençoe abundantemente.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lidando com a Inveja Alheia...


“Amai a vossos inimigos, fazei o bem a quem vos tem ódio; e orai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mateus 5:44).

Ninguém gosta da idéia recorrente de ter inimigos, mas o fato é que sim, é impossível passar pela existência sem que tenhamos adversários, em algum momento de nossa vida. Por mais pacífico que você seja, em algum instante a inveja irá mobilizar irracionalmente o coração de alguém contra você, e quer goste ou não, é preciso estar preparado. O que fazer, por exemplo, quando uma pessoa, sem razão aparente, se lança numa verdadeira perseguição, lançando infâmias para enlamear sua reputação, seja na área pessoal ou profissional? Tendo já alguma experiência em lidar com este assunto, achei por bem compartilhar o pouco que tenho aprendido, do muito que a Palavra de Deus tem a oferecer, a respeito deste tema.
1 – Não entre no ringue. Diante da injúria, da calúnia e da perseguição, nossa natureza humana propõe revidar, se possível com agressões e difamações ainda maiores. O que não percebemos, neste processo, é que este tipo de postura nos nivela com nosso agressor, e o que é pior, corresponde exatamente ao que ele queria que fizéssemos. No momento em que revidamos, estamos aceitando a provocação, aceitando o convite pra entrar no ringue. Ficar calado pode evitar grandes precipitações, de que você pode se arrepender mais tarde. “Há tempo de estar calado, e tempo de falar” (Eclesiastes 3:7).
2 – Não pare de fazer o seu melhor. Na maioria das vezes, o objetivo da calúnia é fazer você parar aquilo que está fazendo, parar de ser produtivo, para ficar gastando seu tempo em responder as agressões. A Bíblia conta que Sambalate, Tobias e Gesém, preocupados com a velocidade que Neemias reerguia os muros de Jerusalém, ameaçaram espalhar calúnias se não viesse ‘conversar’ com eles. Neemias apenas disse: “estou envolvido em uma grande obra, não posso descer até vocês”. Lembre que você tem mais o que fazer, deixe seu inimigo falando sozinho.
3 – Não invista tempo em quem não merece. Jesus foi bastante claro ao declarar que não devemos atirar nossas pérolas aos porcos. Seu tempo é precioso. Muitas vezes você não tem tempo nem de visitar as pessoas que você gosta, um amigo que está no hospital, e vai gastar seu tempo logo com quem te detesta? Não permita que seu inimigo consiga roubar seu tempo.
4 – Não acumule ódio. Isso é para os fracos. Jesus disse para amarmos aos nossos inimigos, e orarmos por aqueles que nos perseguem. (Mateus 5:44). Evidente que Jesus não estava falando de ser “meloso” com quem não se importa com você. Trata-se, apenas, de não desejar o mal. Ore sempre pra que o seu inimigo seja feliz e encontre algo melhor pra fazer da própria vida do que pegar no seu pé.
5 – Se ficar por baixo, não se desespere. Algumas vezes, uma calúnia ou armadilha forjada por um inimigo seu, realmente tem poder de te prejudicar. Se isso acontecer, lembre que Deus ainda está contigo. Daniel, mesmo sendo justo e mesmo tendo a confiança do Rei, foi prejudicado por uma armadilha de seus inimigos, e foi parar na cova dos leões, mas saiu de lá sem nenhum arranhão. Você pode até ficar em uma cova, esquecido por algum tempo, mas quando sair de lá, será mais honrado que antes.
Certamente há muito mais que poderia ser dito, mas estes conselhos práticos que a Bíblia nos ensina, certamente farão toda a diferença ao lidar com invejosos no futuro.
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Sim" e "Não" no mundo do "Talvez"



“Que a vossa palavra seja sim, sim e não, não”. (Tiago 5:12b)

O pensador iluminista Voltaire, no século XVIII já dizia, antecipando os dias atuais, que “o segredo de aborrecer é dizer tudo”. Lendo artigos publicados em uma conhecida rede social, em que pessoas esclarecidas ironizavam a presença crescente de colunas “religiosas” nos jornais e na Internet, fiquei com a nítida impressão de que, realmente, Voltaire tinha razão. E que a Bíblia, séculos antes dele, tinha mais razão ainda. Pode parecer estranho evocar justo Voltaire pra defender um princípio calcado na fé (ele que virou, erroneamente, um ícone do ateísmo contemporâneo sem jamais ter sido ateu), mas calma, chegaremos lá.
Vivemos dias em que pensar e falar o que se pensa com clareza ainda se tornará crime inafiançável. A predominância do chamado “Politicamente Correto” impôs a todas as relações em sociedade uma espécie de zona cinzenta, onde o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o claro e o escuro, simplesmente não existem. Nenhuma verdade é absoluta, e afirmar com clareza suas convicções soa ofensivo e arrogante.
O teólogo francês Teillard de Chardin, num tratado filosófico que vale por uma profecia, costumava falar da “sociedade da convergência”, onde todos os antagonismos são diluídos. Faz tempo que, na política, alianças entre ex-inimigos ferozes já não surpreendem mais ninguém. É a dialética de Antonio Gramsci num estado mais que avançado, onde as pessoas são capazes de chegar à síntese antes mesmo de ter uma tese e uma antítese.
O resultado disso é que a metafísica dominante na sociedade produziu a idéia de que não há verdades a ser defendidas, e que tudo depende do ponto de vista. Num mundo onde o absoluto não existe, tudo é permitido. Menos – obviamente – afirmar suas convicções e sua fé de forma clara, pois no dizer dos nossos dias, isso é coisa de “fanáticos”.
Entretanto, mesmo em meio a este ambiente turvo onde dizer o que se pensa é inconveniente e desaconselhado, a Bíblia continua nos asseverando a urgência de pensar, agir e falar com clareza. “Sim, sim”, e “não, não”, no que diz respeito à ética, valores e amor ao próximo, não admite a confortável desconversa do “talvez”.
É possível que uma coluna de opinião que fale de fé, numa sociedade desacostumada destes referenciais, possa parecer inconveniente e desagradável para muitos. A moda é não se comprometer, não defender suas idéias com excessiva clareza. Entretanto, por acreditarmos que a fé cristã é uma verdade que vale a pena ser defendida e vivida, permanecemos na nossa missão de ministro, muito bem definida no dizer do rabino Martin Buber: “confortar os aflitos...e afligir os confortáveis”.
Acreditamos nisso.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Descanse em paz, John



“Sou cristão não porque a fé cristã é atrativa, mas porque é verdadeira” (John Stott).

Lembro ainda de quando fui apresentado pela primeira vez a um texto de John Sttott. Em meu primeiro ano como professor do Instituto Teológico Quadrangular, recebi a determinação de fazer a resenha de um livro, pra anexar ao nosso prontuário. Todos os professores que ingressam no Instituto tinham que produzir uma resenha crítica da mesma obra. O livro em questão era o famoso “Crer é Também Pensar”, de John Stott, e o impacto foi imediato. Enfim, havia encontrado um autor cristão que fazia uma defesa clara e competente da importância do pensamento crítico para a genuína fé. Fui buscando conhecer mais e mais de suas obras, e sem grande esforço, fui reconhecendo neste teólogo britânico o meu autor favorito.
John Stott partiu para junto do Senhor nesta quarta-feira, 27 de julho, aos 90 anos, exatos quatro anos depois de anunciar sua aposentadoria em julho de 2007. Autor de uma extensa obra teológica e devocional, com mais de 50 livros, Stott se caracterizava pela defesa intransigente da racionalidade do Evangelho. Fiel às suas raízes reformadas, é considerado por muitos estudiosos cristãos da atualidade como o teólogo mais influente do século XX, opinião da qual discordo. Podemos até dizer, com alguma justiça, que ele foi um dos mais “conhecidos” teólogos do século, mas se realmente sua influência tivesse sido na mesma proporção, a Igreja Evangélica não estaria tendo tantos descaminhos.
Stott marcou, sem dúvida, a formação de uma geração inteira de pastores que buscaram se comprometer exclusivamente com o Evangelho da Cruz. Mas, tristemente, a clareza de seu pensamento tem sido abandonada em favor de um “outro evangelho”, como diria o apóstolo Paulo, onde prospera um emocionalismo escravizante e uma concepção meramente utilitária da fé. Pregadores influentes repetem em programas de televisão que “a Bíblia só funciona onde a pessoa acredita”. Stott, ao contrário, dizia que a fé no Filho de Deus não podia ser reduzida a uma mera “funcionalidade”, como um objeto qualquer. Deus deve ser amado porque é Deus, não porque “funciona”.
Chutou pra longe o autoritarismo clerical ao dizer que os pastores estão sob Cristo para servir, e não “sobre” os crentes para comandar. Chocou os propagadores de uma fé puramente emotiva ao dizer que “o amor é mais um serviço do que um sentimento”, e teve a coragem de afirmar que Deus amava os que buscavam a sabedoria, numa época em que o desprezo ao conhecimento e a apologia da ignorância vicejam como pragas na seara. E pra escandalizar ainda mais a mentalidade autoritária de certo pseudo-cristianismo, viveu tudo aquilo que pregou, investindo na formação de líderes cristãos de todo o mundo, especialmente dos países pobres, através do Fundo Langham Partnership International.
Que a alma de John Stott descanse em paz, mas não o seu pensamento. Que ele permaneça vivo nas páginas de seus livros, inquietando pastores e crentes, e incendiando altares em todo o mundo.
Amém.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Livre-se dos Porcos...


"Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão” (Mateus 7:6).

Muitas pessoas cultivam a respeito de Jesus a imagem de que Ele era um mestre do Amor, o maior pacifista de todos os tempos. A primeira sentença é absolutamente correta, mas não a última. O pensamento que reduz Jesus à condição de grande pacifista conduz ao erro de supor que seus ensinamentos não podem ser aplicados às situações de conflito que experimentamos em nossa vida.
Felizmente, o Jesus que a Bíblia nos apresenta era, sim, Mestre do Amor e Príncipe da Paz, mas acima de tudo, era também um Mestre da Vida. E a vida, como sabemos, não possui somente momentos agradáveis. Há situações em que escapar ao conflito não é uma opção, e Ele próprio não deixou de ter controvérsias bastante duras, seja discutindo com os fariseus, seja expulsando os cambistas e mercadores do Templo, e até – ousadia das ousadias – chamando Herodes de raposa. Jesus não entrava em conflito o tempo todo, é claro. A diferença – e isso deveria ser lição para nossa vida – é que ele sabia quando um conflito era imprescindível.
Nos dias de hoje, costumamos gastar tempo e energia com pessoas que não deveriam merecer um milionésimo de segundo de nossa atenção. Reagir a toda e qualquer provocação, a qualquer tempo, é uma forma segura de desperdiçar energia, que poderia ser mais bem empregada em atividades proveitosas. É isso que Jesus quer nos dizer quando nos recomenda que “não atiremos pérolas aos porcos”. Na cultura judaica, de onde vêm as bases do Cristianismo, o “porco” representava a impureza. Ou seja: não se deve perder tempo com quem não merece esse tempo.
Aqui no Sul, usa-se muito o ditado: “Quem muito se mistura aos porcos acaba comendo farelo”, uma frase de inspiração bíblica, que relembra a passagem do Filho Pródigo, que deixou a casa do pai para terminar desejando o que os porcos comiam. É exatamente a respeito disso que Jesus nos alerta. Há pessoas que, por mais que queiram, não tem condições efetivas de desestabilizar você, a menos que você mesmo lhes dê espaço. Outros vão procurar ter conflito direto com você por inveja e até desejo de ibope, coisa que só irão obter se você lhes der atenção.
Há conflitos que, vez por outra, precisam ser comprados. Jesus combateu os fariseus porque acreditava em uma causa que valia a pena ser defendida. Mas ignorou as provocações de Pilatos. Há pessoas que não merecem a honra de um combate. Livre-se dos porcos e priorize gastar seu tempo naquilo que realmente importa.
Deus te abençoe grandiosamente.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Não, nós não somos racistas



“Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo”. (Atos dos Apóstolos, 13:1).

Olhando para os escombros da Cidade Santa devastada pelos babilônicos, o profeta Jeremias, que se cansou de tanto avisar a seu povo que se arrependesse para evitar o pior, só conseguia chorar e se perguntar: “O que fizeram com Jerusalém?”. Eu, uma formiga perto da eloqüência e de fé de Jeremias, olho para o espírito de rapina de alguns pastores de hoje e só consigo repetir a mesma oração, que me acompanha como um lamento: “Deus meu, o que estão fazendo com a tua Igreja?”. Como se precisasse mais um motivo para a mídia e a sociedade estereotiparem os cristãos evangélicos do Brasil como gente ignara, atrasada e preconceituosa, vem a público o pastor Marco Feliciano, estupidamente eleito deputado federal pelo PSC de São Paulo, e expõe em seu Twitter declarações racistas, sugerindo que os negros são gente amaldiçoada por Deus.
Não é de hoje que o pastor e hoje deputado Marco Feliciano faz das suas. Lembro que seu nome era figurinha carimbada nos congressos pentecostais dos Gideões Missionários da Última Hora. Logo, a história humilde do pastor que veio de baixo, que não era filho nem genro de nenhum medalhão influente do meio evangélico, cativou multidões. Eu mesmo, na meninice da minha fé cristã, cheguei a gostar das pregações do cara, antes que ele se transformasse nessa mistura lamentável de analfabetismo teológico, autoritarismo eclesiástico e vaidade exacerbada.
O que Feliciano disse no Twitter é um absurdo, mas lamentavelmente é um absurdo influente. Já ouvi até mesmo de pastores negros esta especulação teológica, que sugere que os negros teriam herdado a maldição imposta por Noé a seu filho Cam, ascendente bíblico dos africanos. Trata-se de um equívoco muito antigo. Quincin Duncan, no livro “Identidade Negra e Religião” relata que o sacerdote católico Juan Bautista Casas, em 1869, usava esta passagem bíblica para justificar o sistema escravocrata existente no Brasil. Muitos pastores protestantes da época lamentavelmente pensavam do mesmo modo, mas havia no Brasil pastores como Ashbel Green Simonton e Robert Kalley, que lutaram pela abolição e não toleravam que membros de suas igrejas tivessem escravos.
Não surpreende, portanto, que Feliciano reproduza essas asneiras. Alguém que, ao invés de fazer suas orações em Nome de Jesus costuma dizer “quem está te pedindo, Pai, é Marco Feliciano”, decididamente é capaz de tudo. Não, Feliciano, os negros não são amaldiçoados. Se essa é a mensagem do seu Cristianismo, com toda certeza não professamos a mesma fé.
O Cristianismo que eu conheço ensina que todas as maldições do Antigo Testamento, fossem elas contra sírios, negros ou judeus, foram substituídas pela Bênção da Nova Aliança. Jesus nos resgatou da maldição (Gl 3.13) e da lei do pecado da morte (Rm 8.2) e nos deu a liberdade, fazendo-nos filhos de Deus (Rm 8.15 e 16).
A Fé Cristã apregoada pelos apóstolos formou uma igreja multiétnica, multirracial, que tinha espaço para que um negro como Simeão e um irmão de Herodes como Manaém, fossem mestres e doutores da mesma igreja em Antioquia. A fé que eu proclamo é a da mensagem que Billy Graham pregou na Índia: “Este Jesus era um homem do oriente, que tinha uma pele mais escura que a minha e uma mensagem que vinha do Céu”. A mesma fé do bispo anglicano Desmond Tutu, do pregador Willian Seymour, do pastor Martin Luther King. A fé que fez do movimento pentecostal brasileiro a religião mais negra do Brasil.
Diante do Poder da Cruz, não há Maldição de Cam que resista.

domingo, 27 de março de 2011

Quo Vadis?


Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.(Provérbios 29;18)

Há uma letra de samba muito popular no país, que chegou até a ser usada por um técnico de futebol como mote motivador para a Seleção Brasileira que conquistou o pentacampeonato de 2002. Pessoalmente, me assusta que alguém possa se sentir motivado com uma canção que diz "deixa a vida me levar, vida leva eu". A letra apresenta a auto-definição do bom brasileiro como um sujeito boa praça, de bom coração, sem maiores ambições e que simplesmente não traça objetivos. Ele é literalmente levado pelos acontecimentos da vida. Não é ele quem leva a vida, é a vida que o leva.
A Bíblia Sagrada nos aponta um conselho totalmente diferente. Em Provérbios 29:18, o rei Salomão exclama que "Não havendo profecia, o povo perece". É preciso compreender que, neste versículo, a palavra "profecia" nada tem a ver com predição do futuro, conforme o entendimento popular de hoje, mas significa "direção", "orientação", "foco". Nenhuma pessoa pode viver uma vida de qualidade sem um direcionamento claro, Quem tem um alvo sabe onde quer chegar. Pra quem não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.
O capítulo 13 do Primeiro Livro de Reis nos fala de um profeta que, nos tempos do Rei Jeroboão, foi capaz de denunciar o rei por seu culto idólatra a deuses pagãos. O rei chegou a mandar prendê-lo, mas quando estendeu a mão em direção ao profeta, sua mão ficou leprosa, tamanha era a proteção de Deus sobre aquele profeta. Tudo o que ele falava, acontecia. Quando disse que o altar iria se rachar e suas cinzas se espalharem, foi exatamente o que aconteceu. Mas tudo isso porque ele tinha um foco: "Porque assim me ordenou o Senhor, por sua palavra" (1 Rs 13:9) ou seja, ele estava sendo obediente a um Foco, uma Direção Superior que havia sido traçada para sua vida, que incluía inclusive não parar no caminho de volta nem mesmo para se alimentar.
Entretanto, outro homem, impressionado com aquele profeta, o deteve no caminho de volta e insistiu para que aceitasse comer em sua casa. O profeta acabou aceitando, e por ter se afastado do que Deus lhe dissera, foi devorado por um leão (1 Rs 13:24). Deus também deixou para nós, uma orientação expressa em sua palavra. Deixar de seguir sua orientação é uma escolha nossa, mas é certo que, quando escolhemos ignorar a vontade de Deus, não nos cabe reclamar das circunstâncias.
Por outro lado, Deus também é poderoso para corrigir uma rota equivocada. Saulo de Tarso era um fariseu empedernido, que perseguia os primeiros cristãos. Porém, a caminho de Damasco, onde pretendia prender muitos seguidores de Jesus, teve a visão do próprio Cristo, dizendo:"Quo Vadis (onde vais)?". O encontro com Jesus ressuscitado mudou o coração e as prioridades de Saulo, que passou a se chamar Paulo, o apóstolo dos gentios.
Deus quer dar uma direção para sua vida, e ela está escrita em um livro com mais de 2 mil anos de história, Talvez valha a pena ouvi-lo.
Deus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As pessoas podem mudar?



E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe Israel. (Gênesis 35:10)

Mais antigo que o Emplasto Poroso Sabiá, só mesmo o ditado popular que afirma que “pau que nasce torto nunca se endireita”. A sociedade civil, do ponto de vista teórico, se organiza sob o prisma de que o ser humano é recuperável, tanto assim é que para isso existe o sistema prisional. Entretanto, a teoria está longe de representar o verdadeiro pensamento que povoa o imaginário coletivo. No fim das contas, a maioria de nós tem dificuldade em acreditar que pessoas possam mudar. Todos nós, em maior ou menor grau, temos muita dificuldade em acreditar na regeneração de um criminoso, na transformação do caráter de uma pessoa que já nos prejudicou ou outro milagre do gênero.
Felizmente, Deus não tem esta opinião, se realmente cremos que Ele é o Autor por trás das centenas de mãos que escreveram a Bíblia. Tomemos como exemplo a impressionante história de Jacó, filho do patriarca bíblico Isaque, neto do grande Abraão. Na cultura judaica, um nome não é simplesmente um nome, mas transmitia uma informação importante sobre a pessoa. Em hebraico, Jacó se pronuncia Yaacov e significa “suplantador”. No contexto bíblico, enganador, mentiroso, trapaceiro. E por boa parte de sua vida, de fato Jacó não passava disso. A ponto de ter tirado proveito de um momento de fragilidade do irmão mais velho, Esaú, para comprar sua benção especial de filho mais velho (uma tradição tribal muito antiga) por um prato de guisado com lentilhas.
Naturalmente, Jacó atraiu a fúria do irmão, e a sua pretensa “esperteza” só serviu para transformá-lo em um fugitivo no deserto. Mas foi justamente no deserto, no meio do nada absoluto, que Deus interviu, dando-lhe um sonho que mudou sua história. Ao sonhar com uma escada que ia em direção ao céu, com anjos subindo e descendo, Jacó entendeu que poderia ser bem mais do que tinha sido até então, e fez ali um compromisso solene com Deus, ungindo o lugar onde tivera o sonho com óleo, uma representação bíblica do poder do Espírito Santo. A partir dali, sua história de tropeços teve uma reviravolta completa, a tal ponto que o próprio Deus achou impróprio continuar chamando-o de Jacó, e modificou seu nome para Israel, cujo significado chega a ser espantoso: “Aquele que reina com Deus”.
Sim, Deus acredita que as pessoas podem mudar. O caráter de um ser humano pode ser inteiramente transformado se ele tiver um sonho, uma força motivadora que mude seu foco, suas prioridades, literalmente reprogramando sua vida. E quando isso acontece, tornamo-nos capazes de “reinar com Deus”, ou seja, tornamo-nos cooperadores da sua obra de transformação da realidade.
Alguém disse que você não tem jeito? Não acredite nele. Acredite na opinião de Deus a teu respeito.
Deus te abençoe abundantemente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O que você ama, de fato?



“O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos. (Provérbios 16.9)”

Os capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus registram uma longa pregação de Jesus que passou para a história como “Sermão da Montanha”. Tal como Moisés, milênios antes, havia apresentado ao povo judeu a Lei de Deus no Monte Sinai, Jesus subia ao monte para falar de uma Nova Lei – A Nova Aliança, dirigida a toda a humanidade. É nesta mensagem que Jesus fala uma verdade aparentemente ingênua, mas que contém uma revelação profunda sobre a condição humana: “Onde estiver o seu tesouro, aí estará também o vosso coração (Mateus 6:21)”.
Esta frase é uma síntese perfeita sobre porque algumas pessoas, mesmo não sendo fiéis a Deus, tem uma vida próspera, enquanto outros, apesar de sua devoção genuína, continuam levando uma vida de fracassos. Nela está a explicação de por que muitas pessoas, mesmo fazendo sacrifícios, orações e toda espécie de prática devocional, não conseguem alcançar as bênçãos que procuram. “Onde estiver o seu tesouro, aí estará também o vosso coração”, ou seja: tudo depende daquilo que predomina na sua vida.
Neste texto bíblico, “tesouro” significa o seu bem mais precioso, aquilo que realmente mais importa na sai vida. Muitas pessoas afirmam que amam a Deus acima de tudo e que sua prioridade é fazer o bem, mas a verdade não está nas nossas palavras, e sim nas nossas ações, pois são elas que revelam nossas verdadeiras prioridades. Se você gasta mais tempo se vingando de seus desafetos do que fazendo o bem à sua própria família, de nada adianta fazer juras de amor à sua mãe, porque o seu tesouro não está em sua família realmente.
Muitas pessoas gostam de passar uma imagem pública de religiosidade, mas basta que alguém ameace seu status ou posição social para que a pessoa se transtorne, usando de violência se necessário. Neste caso, o “tesouro” da pessoa será a posição que ela tem. Muitos chegam a pensar em tirar a própria vida por terem descido na escala social, o que demonstra que o “tesouro” do seu coração está ligado à fama e ao renome.
A proposta de Jesus para nossa vida poderia ser resumida da seguinte forma: Amar as pessoas e usar as coisas. Infelizmente, a cultura pós-moderna ensina o extremo oposto: Amar as coisas e usar as pessoas.
O que você tem amado de fato em sua vida? Examine suas próprias atitudes, sua maneira de pensar, porque talvez seja urgente uma mudança nos seus conceitos. Jesus quer depositar tesouros preciosos no seu coração. Redefina suas prioridades e se abra para a nova vida que Ele quer te conceder.
Deus te abençoe abundantemente.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Uma Nova Perspectiva: um Passeio pelo Templo de Ezequiel



No ano vinte e cinco do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, no ano catorze depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do Senhor, e em visões de Deus me levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia como que um edifício de cidade para a banda do sul. (Ezequiel 40:1-2, Almeida Atualizada)

O livro do profeta Ezequiel é uma coleção de visões proféticas que foram concedidas pelo Espírito Santo ao longo de 25 anos de ministério profético. Certamente muitos crentes já ouviram pregações a respeito de visões como a dos “quatro seres viventes” ou do vale de ossos secos. Mas a mais detalhada das visões deste livro se estende por nove capítulos, do 40 ao 48, e nos fala de uma revelação especial sobre o Templo do Senhor, que foi dada ao profeta no décimo dia do primeiro mês do ano.
É bom ressaltar que no tempo destas profecias, Ezequiel se achava exilado em Tel-Abib, a beira do Rio Quebar, na Babilônia, juntamente com outros judeus que se tornaram cativos após a conquista de Jerusalém por Nabucodonosor. Portanto, o templo, centro sagrado da adoração judaica, estava destruído. Como se lê no capítulo 40 do livro, Deus escolhe o primeiro mês do 25º ano do exílio para mostrar ao profeta um novo templo. A visão é bastante detalhada, e mostra até mesmo as medidas de cada compartimento deste novo templo.
O Templo visto pelo profeta Ezequiel não era baseado no templo do passado, e nem tampouco é semelhante ao templo que foi construído mais tarde. Assim, compreendemos que o horizonte do profeta não estava situado no tempo, mas na eternidade. Podemos traduzir isso para nosso cotidiano, significando que Deus não quer que você esteja preso ao passado ou a um futuro que nunca chega. Deus tem para você uma nova perspectiva.
Não se estava falando, portanto, de um Templo feito por mãos humanas, mas de toda uma nova forma de adorar ao Senhor. Muitos anos mais tarde, quando uma samaritana perguntou a Jesus se Deus devia ser adorado em Jerusalém ou no Monte Gerizim, Jesus traz um novo enfoque na sua resposta. “Deus busca adoradores que o adorem em Espírito e em Verdade”, uma forma de adoração que não dependeria mais de um lócus físico, cultural ou humano. Cristo é o “Verbo”, a palavra Eterna, que deve ser adorada para além de qualquer tradição ou ambiência cultural.
A visao nos fala ainda de um rio de águas vivas que corre do limiar do Templo, e que formava uma correnteza caudalosa. O Apocalipse de João nos fala de um rio que desce diretamente do Trono de Deus na Nova Jerusalém. Na Nova Aliança, o Templo do Espírito Santo é a sua própria vida, e por isso Deus quer que do seu interior flua um rio de águas vivas, que não é apenas uma experiência sobrenatural, mas um caráter justo e transformado por Deus, cumprindo o desejo do profeta Amós: Assim corra a vossa justiça como um rio que não seca. O Rio das Águas Vivas não verterá de um coração carregado de rancores, mágoa, corrupção e revoltas.
Neste décimo dia do primeiro mês do ano, meu desejo é que Deus transporte você a lugares altos, e lhe faça mergulhar num relacionamento profundo com Ele. Que seu coração seja um Templo para habitação da Glória de Deus, e a exemplo de Ezequiel você possa proclamar: “Jeová-Shamah” (O Senhor está Presente).
Deus te abençoe abundantemente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Violência de Jesus



“E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mateus 21: 12-13).


“Você é todo religioso, pensei que você fosse uma pessoa do bem, mas agora vi que não”.
Foi mais ou menos nestes termos que uma ligação telefônica, na tarde de quinta-feira (o1/06/10) me importunou, até me constrangendo diante de pessoas que ouviam a voz alterada e descontrolada de um conhecido, reagindo de forma destemperada diante de uma crítica que fiz a um artigo seu. Para quem exercita, e muito, o direito de opinar, surpreendeu que reagisse com agressões pessoais a uma simples opinião. Mas deixando esta questão de lado, o incidente me motivou a refletir sobre a idéia que as pessoas fazem de um cristão, como se um servo de Deus tenha que ser sempre passivo, plácido e bondoso. Em outras palavras, um indivíduo “sem boca pra nada”, pra fazer uso de um linguajar costumeiro da nossa Fronteira Oeste.
As pessoas que fazem esta idéia do comportamento cristão, talvez se surpreendam se forem apresentadas a alguns trechos da Palavra de Deus. Jesus, o Filho de Deus, era o homem mais bondoso e manso que já existiu, mas isso não fez com que deixasse de agir e falar com firmeza, quando necessário. A primeira atitude que tomou ao entrar na cidade de Jerusalém sob forte comoção popular foi entrar no Templo de Jerusalém e derrubar as mesas dos cambistas, que vendiam pombos, cordeiros e outros animais para os sacrifícios religiosos, a preços extorsivos, sob a complacência dos sacerdotes.
Jesus agiu com evidente indignação. Nada provocava mais a ira de Cristo do que a exploração do povo sob pretextos religiosos. Nos dias de hoje, é provável que usasse da mesma força contra alguns mercadores da fé que ainda existem em nossos dias. Noutra ocasião, quando pregava a Palavra de Deus ao povo, Jesus foi interpelado por alguns fariseus, que o ameaçavam dizendo que Herodes o mataria se ele continuasse com aquilo. No entanto, ao invés de ficar intimidado, Jesus respondeu: “Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado (Lucas 13:32)”.
Jesus nos deixa o exemplo de que não devemos nos calar quando o mal tenta nos intimidar. Os que se beneficiam do mal tentam sempre sugerir que a postura cristã mais correta é o silêncio pacato. Entretanto, Jesus nunca deixou de demonstrar a coragem necessária para desmascarar a hipocrisia dos falsos. Afinal de contas, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, e é impossível anunciar a Verdade sem denunciar o erro.
Você é censurado por falar o que pensa, e alguns tentam sugerir que o melhor para um cristão seria ficar calado? Fica para você, amigo leitor, a mensagem de Deus ao profeta Isaías: “Clama a plenos pulmões, não te detenhas, levanta a tua voz como trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à Casa de Jacó os seus pecados”. (Is 58:1).
Que o Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Princípios de Autoridade



Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o seu direito. (Isaías 42:3).

Mais ou menos por volta do ano 1998, quando corria solta a febre da “Auto-Ajuda” e do “Pensamento Motivacional”, um estudo curioso foi publicado na Scientific Magazine, e falava sobre o poder da raiva. Lembro de ter lido pequenas partes da versão do estudo em português, que consegui com alguma dificuldade (estávamos na pré-história da Internet, e coisas como Google e Youtube ainda eram sonhos de filmes de ficção científica). De memória, lembro que o estudo dizia que as pessoas costumam associar violência e raiva à competência, e que aqueles que são mais agressivos tem reputação de ser mais enérgicos, mais ousados, e portanto, mais aptos para cargos de liderança. Alguém que, pelo contrário, for civilizado e brando no trato com as pessoas, pode até ir bastante longe na carreira, mas em alguns casos, tenderá a ser visto como inadequado, sem ‘pulso firme’ para uma atribuição de chefia.
Este padrão, sem dúvida alguma, cristalizou-se nos últimos anos. Salvo raras exceções, que confirmam a regra, os livros voltados para o aprendizado de liderança no mundo corporativo e empresarial ensinam que a violência, bem dosada, é uma ferramenta poderosa para garantir a ascensão profissional. Mesmo no universo da fé cristã isso tem se tornado comum. Pastores comprometidos com as visões da assim chamada ‘Teologia da Prosperidade’ ensinam que o cristão precisa ser agressivo, violento mesmo, se quiser conquistar sua benção. Em nome de seu objetivo, lhe seria permitido até encostar Deus na parede, com palavras do tipo ‘eu não aceito’, ‘a Bíblia diz tal coisa então eu tenho direito’. E de preferência gritando, porque o berro é um sinal de autoridade. O mais triste é perceber o quanto alguns destes líderes acreditam mesmo nisso. Basta ver a forma como tratam seus assessores mais diretos, quando o povo não está olhando.
Será que este era o padrão de autoridade seguido por Jesus? O profeta Isaías, 700 anos antes de Cristo nascer, nos fala como seriam as atitudes do Messias em relação a este particular: Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o seu direito. (Isaías 42:3).
Somente alguém com um perfil de liderança sereno como o de Jesus podia ser seguro o suficiente para, num gesto de despedida, lavar os pés dos discípulos. É bom lembrar que a prática de lavar os pés de uma pessoa, hábito comum quando alguém ia visitar um amigo em casa, era feito por um escravo. Jesus não fez isso porque tivesse baixa auto-estima.
Jesus não é visto em nenhuma passagem das Escrituras gritando com pessoa alguma, a nao ser com a tempestade e os demônios. A verdadeira autoridade não é exercida no berro. Siga o modelo de Jesus, e sua forma de viver será sempre mais eficaz.
Deus te abençoe abundantemente.