domingo, 28 de março de 2010

Quando os descartados se tornam indispensáveis...



"Procura vir ter comigo depressa; (...) Somente Lucas está comigo. Toma também contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. (2a Timóteo, 4:9;11)

Até que ponto erros e fracassos podem marcar a vida de uma pessoa? Quantos seres humanos talentosos perderam oportunidades preciosas e tiveram as portas do sucesso fechadas diante de si por causa de uma falha do passado, sempre lembrada como um motivo para negar uma nova chance?
João Marcos é um personagem bíblico raramente mencionado, justamente porque sua história pessoal carrega uma marca muito parecida com a de muitos de nós, nos dias atuais. As escrituras trazem informações esparsas, um versículo aqui, outro ali, sobre sua vida. Viveu sua infância e juventude vendo cristãos da igreja primitiva reunindo-se secretamente na casa de sua mãe, Maria, em Jerusalém, onde chegou a ver Pedro, o apóstolo, chegar depois de ter sido libertado milagrosamente da prisão (Atos 12:12). Empolgado com a nova mensagem, foi eleito pela igreja de Jerusalém para acompanhar Paulo e Barbané em suas viagens missionárias, como auxiliar. Foram a Antioquia, Chipre, Pafos e outros locais onde Deus operou muitos milagres, mas quando iam a Perge da Panfília, João Marcos, repentinamente, abandonou a equipe e voltou para Jerusalém (At 13.13).
Medo? Decepção? Algum ataque de fúria típico de um jovem imaturo? A Bíblia não dá maiores detalhes. O fato é que, por causa de seu erro, as portas da vocação missionária pareciam ter se fechado para ele. Paulo, o grande missionário, deixou bem claro que não pretendia mais contar com a companhia daquele jovem irresponsável em suas viagens, a ponto de romper com Barnabé quando este sugeriu dar uma segunda chance a João Marcos. Barnabé pagou o preço de não caminhar mais com o grande apóstolo, para apostar no discipulado de um jovem inexperiente e que já tinha vacilado gravemente.
Após a separação entre Paulo e Barnabé, não ouvimos mais falar de João Marcos, já que a narrativa passa a acompanhar as viagens de Paulo, Silas, e ocasionalmente, Lucas. No entanto, na última carta que Paulo escreveu, a Segunda Epístola a Timóteo, o velho apóstolo, preso e prestes a morrer decapitado, reclama que todos o abandonaram, e pede que Timóteo vá vê-lo depressa. E com uma recomendação: "Traze-me também a João Marcos, porque me é útil para o ministério".
Haviam se passado muitos anos desde que Barnabé preferiu se afastar de Paulo para apostar em um jovem marcado por um ato de indisciplina. Não sabemos que lugares Barnabé e João Marcos visitaram, que dificuldades enfrentaram, mas seja como for, o gesto daquele homem que preferiu apostar em um jovem desacreditado valeu a pena, pois anos depois, justamente o apóstolo que o havia descartado agora dizia que ele era útil para o ministério, para Cristo e para ele mesmo.
Será que hoje escrevo para um João Marcos? Quem sabe o leitor desta crônica saiba bem o que é ser descartado por um erro grave, uma falha inominável, um pecado. No entanto, para cada Paulo que o condena com veemência, Deus vai levantar um Barnabé para o ajudar a crescer. E um dia, quando você menos esperar, os 'Paulos' que te condenaram, vão reconhecer que você é útil e especial.
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

terça-feira, 23 de março de 2010

Não, obrigado, estou só olhando...


“Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez (Atos 17:32)”

O renomado escritor Harry J. Friedman, considerado um dos principais teóricos do Marketing moderno, escreveu o livro “Não, Obrigado, Estou Só Olhando”, cujo título provocativo repito acima. O autor expõe, numa linguagem fácil e dinâmica, uma série de técnicas para o varejista que deseja transformar curiosos em compradores. O livro, segundo a maioria dos profissionais e professores da área de marketing, é fundamental para entender o setor no século XXI.
Conceitos deste tipo tem sua validade e seu mérito no seu específico campo de abrangência, e longe de mim deixar de reconhecer isso. No entanto, tenho a impressão nada fugaz de que falta muito pouco pra chegar o dia em que alguém vai chegar em uma igreja, olhar o culto do início ao fim, e quando alguém lhe saudar ou desejar boas-vindas, simplesmente dirá: “não, obrigado, estou só olhando!”.
A lógica do consumo de massas, que é um dos pilares da economia de mercado na assim chamada ‘pós-modernidade’, está invertendo os valores do universo da fé. Vivemos dias em que as pessoas só se predispõem a aceitar um “Evangelho de Varejo”, a tal ponto que algumas igrejas já se organizam nos moldes do marketing segmentado: quem gosta de mensagem sobre prosperidade vai na igreja X, quem gosta de mensagem sobre prosperidade freqüenta a igreja Y, quem gosta de manifestação de dons de profecia vai na congregação Z, e por aí vai. Não raro, o sujeito pega o que lhe serve de cada ‘doutrina’ e monta a sua própria religião ‘fast-food’, itinerante e sem compromisso.
Este fenômeno não é novo. Na sua breve passagem por Atenas, capital do império grego e berço cultural da civilização ocidental, o apóstolo Paulo pregou no Areópago, e diante de uma platéia de cultura basicamente helênica, sem qualquer contato com os profetas hebreus do Antigo Testamento, foi citando brilhantemente poetas gregos que chegaram bem perto do conceito de Deus, falando-lhes do plano da Salvação. Tudo ia muito bem, até que ele tocou no centro da doutrina cristã – o Sacrifício e Ressurreição de Cristo. Foi o que bastou para que os mais sábios na cultura grega, que não admitiam a idéia da ressurreição, fossem se afastando, uns com escárnio evidente, outros dando uma desculpa estratégica para sair do local.
Muitos, na igreja moderna, estão repetindo o gesto dos areopagitas. Quando ouvem falar em mensagens sobre auto-estima, vida de prosperidade, e até lições de saúde, recebem a pregação muito bem, mesmo que tenham que dispender vultosas quantias (é mais fácil para muitas pessoas ‘pagar’ por uma bênção do que entender o mistério da Graça). No entanto, diante de mensagens que falam de ‘carregar a cruz de Cristo’, de compromisso com o Reino de Deus e de consagração, tapam os ouvidos e cerram as portas do coração.
O Evangelho verdadeiro é firmado no conceito da Graça Redentora, e portanto, não pode ser reduzido a mercadoria. Que o seu coração, amigo leitor, esteja disposto a entender que Deus deseja está em busca de adoradores e servos...não de clientes.
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não perca Jesus de vista


"Jesus e os Doutores", ilustração de Gustave Doré

“Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Salmo 95:7-8)
O Evangelho de Lucas, o mais completo dos quatro evangelhos do ponto de vista da biografia de Jesus, narra uma passagem bastante conhecida, quando Jesus era ainda criança e os pais o levaram numa grande caravana familiar em direção a Jerusalém, para as celebrações do Pessach, a Páscoa judaica. Ao regressarem, demoraram um dia inteiro de viagem para perceber que tinham deixado Jesus para trás.
Esta passagem nos alerta para o fato de que, mesmo que estejamos envolvidos com a obra de Deus, mesmo que estejamos profundamente ocupados em atividades de caridade, boas ações, ou tarefas religiosas, é possível, sim, perder Jesus de vista. José e Maria tinham ido celebrar a Páscoa, um mandamento de Deus, e mesmo assim isso não os impediu de perder Jesus pelo caminho.
São muitas as formas pelas quais podemos simplesmente perder Jesus de vista. Em 2020, a maioria da população brasileira será constituída de evangélicos, cristãos que dizem amar a Bíblia e a Jesus de todo coração. Mas infelizmente, é forçoso reconhecer que muito deste crescimento se deve à pregação de um evangelho rasteiro, recheado de bênçãos e facilidades, ausente de compromisso com a cruz. A julgar por muitas mensagens mais centradas na satisfação do crente do que na pessoa de Jesus Cristo, muitos rebanhos perderam Jesus de vista.
É possível perder Jesus de vista quando nos tornamos barganhadores com Deus, negociando jejuns e sacrifícios em troca de bênçãos materiais. Alguns líderes cristãos, pressionados pela exigência crescente de mais almas e mais recursos, vão se deixando levar por um sistema ganancioso e, aos poucos, perdem a sensibilidade espiritual necessária para ouvir a voz de Deus, e se tornam, eles mesmos, “fonte” espiritual do povo que lideram, baseando-se ora na experiência, ora no achismo. E vão tocando a vida naturalmente, sem nem perceber que Jesus ficou lá atrás, distante...
No entanto, há uma lição animadora em toda esta história: sempre é possível voltar! Foi o que José e Maria fizeram, não medindo esforços para reencontrar Jesus. Se você sente esta necessidade, não se constranja de dar meia volta, um rumo de retorno em sua vida. Jesus vai estar lá, no templo, na Casa do Pai, te esperando.
Deus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sarando o Narcisismo...


“Quando, porém, o seu coração se elevou, e o seu espírito se tornou soberbo e arrogante, foi derribado do trono real, e passou dele a sua glória”.
(Daniel 5:20)


Muito se tem falado na era moderna a respeito dos males da depressão na atualidade. De fato, não há dúvida sobre quanto mal esta patologia tem causado em centenas de vidas humanas, destruindo lares e abatendo trajetórias promissoras, principalmente por ser uma das poucas enfermidades psicossomáticas com conseqüências espirituais. Entretanto, um mal igualmente patológico tem se disseminado de forma tão impactante quanto a depressão nos últimos tempos, sem que seja encarado com a mesma seriedade. Trata-se do Narcisismo, a doença do ego, que faz com que as pessoas tenham uma percepção equivocada a respeito de si mesmas, e de sua posição com relação aos outros.
O Dicionário Brasileiro Globo, de Francisco Fernandes e Celso Pedro Luft, define Narcisismo como “estado em que a libido é dirigida ao próprio ego”. Noutras palavras, é um estado psicológico em que o ser humano é incapaz de amar outra pessoa além de si mesma. O nome desta doença vem da lenda de Narciso, jovem da mitologia romana que foi condenado a passar a eternidade admirando sua face na superfície de um lago. Desta forma, o narcisista é, basicamente, alguém cujo mundo interior gira em torno da própria imagem, e da satisfação com suas pretensas qualidades. Como disse Chico Buarque na canção Avenida São João, “Narciso acha feio o que não é espelho”.
Normalmente, costumamos associar o narcisismo a um mero desvio de caráter ou personalidade. Entretanto, trata-se de uma enfermidade reconhecida como tal pelo Catálogo Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. Ou seja, o narcisista é, antes de tudo, um doente, alguém que não consegue estabelecer um relacionamento sadio com as pessoas, consigo mesmo e com Deus, o que sem dúvida, é muito mais grave.
O senso comum costuma acreditar que o narcisista é alguém que exagerou na sua boa auto-estima, mas os psicólogos costumam dizer que é exatamente o contrário. É justamente sua profunda insegurança emocional que faz nascer em seu coração uma necessidade doentia por aplausos. O narcisismo é, antes de tudo, a extrapolação de um ego inseguro e insatisfeito, que cobra do universo toda a atenção que julga merecer.
O narcisista simplesmente não consegue se preocupar de verdade com os problemas e interesses de outra pessoa, a menos que estes o afetem diretamente. O narcisista jamais se relaciona de forma saudável com as pessoas, que são vistas apenas como meios para atingir seus objetivos. O narcisista, no contato com os outros, é essencialmente manipulador. E se outras pessoas o contrariam ou desagradam, pode se tornar agressivo, com acessos de raiva e explosões de violência. Sua necessidade patológica de ser o centro das atenções o leva a fazer das pessoas meros objetos para sua própria satisfação.
A Bíblia chama este comportamento de soberba, e associa este mal com a origem do pecado no gênero humano. Se a humildade é a essência do caráter de Cristo, a soberba é a essência do caráter de satanás, que desceu de sua posição de Querubim ungido da guarda justamente por pretender erguer um trono acima das nuvens, e ser semelhante ao Altíssimo. Enquanto Cristo, sendo Deus, esvaziou-se a si mesmo, satanás chegou a propor ao próprio Cristo que o adorasse.
É preciso, porém, reconhecer que os cristãos, mesmo devendo imitar a Cristo em tudo, não estão imunes da moléstia narcisista. Pelo contrário, é forçoso reconhecer que nos últimos tempos, temos convivido com surtos de narcisismo nos altares, entre músicos, levitas e até mesmo pastores, ás vezes mais ciosos de sua própria reputação do que do Evangelho de Cristo. Cristãos murmuradores, que tem um relacionamento doentio com Deus, pretendendo manipula-lo em favor de seus próprios benefícios. Irmãos que se traem uns aos outros para levar algum tipo de vantagem, até mesmo ministerial. Competitividade exacerbada, destrutiva e desagregadora.
É importante salientar que o narcisismo não se manifesta somente através das conhecidas atitudes de arrogância e superioridade. Num país como o Brasil, onde o desejo de crescer é visto culturalmente com maus olhos, muitos narcisistas fazem questão de apregoar que são pobres e humildes, para se beneficiar da piedade alheia. São os que gostam de enfatizar que foram ou são muito pobres, os mais humildes dentre os humildes. Agostinho de Hipona, o grande teólogo da Era Patrística, definia este estratagema como “concupiscência da virtude”, ou seja, uma virtude falsa, contaminada, carnal.
A medicina sustenta que o destino certo de um narcisista que não busca tratamento é a auto-destruição, e a Bíblia concorda com isto. Entre tantos exemplos, o livro de Daniel nos narra a trajetória de Nabucodonosor, rei da Babilônia, a quem Deus, por seu arbítrio, concedeu o comando de um dos maiores impérios da História. Reis e outras pessoas investidas de autoridade são muito suscetíveis ao narcisismo, e por isto Nabucodonosor tornou-se altivo e arrogante. Deixemos que a Bíblia nos conte qual foi o resultado disto:
“Foi expulso dentre os filhos dos homens, o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; deram-lhe a comer erva como aos bois, e do orvalho do céu foi molhado seu corpo, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as unhas, como as das aves, até que conheceu que DEUS, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens e a quem quer constitui sobre ele”. (Daniel 5.21).
Muitas vezes, o tratamento que Deus dispensa para a cura do narcisista é o rebaixamento radical do seu ego. Aliás, a queda é vista tanto pelo campo da ciência quanto pelo da fé, como conseqüência quase inevitável desta doença. “Aquele que se exalta será humilhado, mas aquele que se humilha será exaltado”. Foi o que aconteceu com um fariseu de Tarso da Cilícia, região ao sul da moderna Turquia, que só se tornou o grande apóstolo Paulo (“pequeno”, em grego) depois de, literalmente, “cair do cavalo” e ter um encontro com Cristo no caminho de Damasco.
Muitas pessoas, justamente por seu desvio narcíseo, não compreendem o tratamento espiritual de Deus através de lutas e turbulências. Elas acabam se tornando necessárias para moldar o ego, ajustar o caráter e recolocar o ser humano no lugar que Deus se agrada. A grande esperança, todavia, para esta situação está na Obra Redentora feita por Jesus Cristo. Quando um coração se arrepende (ou seja, toma a decisão de mudar), Deus o transforma na sua essência, trocando o senso de superioridade pela dependência do Espírito Santo; a manipulação dos outros pelo serviço ao outro; o amor a si mesmo pela adoração a Deus.
Vinde pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que seus pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã”. (Isaías 1;18).

Que esta seja a nossa esperança, todos os dias!
Deus te abençoe abundantemente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sou Evangélico, mas não voto em Marina Silva



Sou forçado a, mais uma vez, pedir licença aos habituais leitores dos escritos devocionais deste espaço para, mais uma vez, tocar no árido terreno do cotidiano que nos cerca. Faço isso por julgar extremamente necessário. Quem quiser ir adiante na leitura, entenderá.


Uma certa onda de empolgação começa a se avolumar nas fileiras evangélicas, com o anúncio da pré-candidatura de Marina Silva à presidência da República pelo Partido Verde. Muito em breve, em se confirmando a notícia, surgirão comitês “evangélicos” pró-Marina, fazendo par com a militância ambientalista, de quem a ex-ministra se transformou em uma espécie de “símbolo”. É justamente por isso que a hipótese coloca tanto terror na candidatura de Dilma Rousseff, pois, se Marina estiver mesmo no páreo, muito do seu discurso simbólico perde o encanto frente a uma candidatura que é a própria encarnação das utopias da esquerda: mulher, com passado pobre, e ainda por cima, uma filha dos “povos da floresta”, para delírio das Ongs que contam com dinheiro europeu a fundo perdido.
Marina Silva é membro da Assembléia de Deus, a maior denominação pentecostal do país. Vale relembrar que a igreja de Marina é vista como uma espécie de reserva moral da igreja pentecostal, o que não é pouco, num cenário onde pululam as Universal e Renascer em Cristo da vida. Ano que vem, a se confirmar uma candidatura de Marina, veremos cenas que já foram vistas em eleições anteriores: pastores evangélicos desesperados para figurar como “papagaio-de-pirata” da candidata em eventos públicos, panfletos sugerindo que “irmão vota em irmão”, e outras cenas já vistas na campanha de Anthony Garotinho em 2002.
É prevendo isso que, num gesto solitário de quem não está acostumado ao espírito-de-manada que volta e meia toma conta do rebanho pentecostal que aviso: sou pastor evangélico, sou pentecostal, e apesar disso, NÃO VOTO em Marina Silva para a Presidência da República em 2010.
Não voto, porque não concordo com o discurso autoritário de que se deva votar em uma candidatura simplesmente por que a mesma se apresenta como ‘evangélica’, sem que se leve em conta sua biografia e as idéias que defende.
Não voto, porque Marina Silva sempre fez par com o pior tipo de ambientalismo – o que defende o imobilismo completo dos recursos naturais, em detrimento do desenvolvimento.
Não voto, porque Marina Silva está comprometida com Organizações indigenistas que defendem a falácia do “multiculturalismo”, em nome do qual se deveria tolerar o uso de psicotrópicos e o assassinato de bebês dentro de aldeias indígenas, somente porque “é típico da cultura deles”.
Não voto, porque Marina Silva e seu pupilo Carlos Minc costumam simplificar de forma grosseira as soluções para o meio ambiente, elegendo o agronegócio e os produtores rurais como inimigos. É mais fácil falar mal de quem planta soja do que prender quem desmata ilegalmente.
Não voto, porque Marina Silva defende o decreto irresponsável da Reserva Legal, que simplesmente congela 20% das propriedades rurais do Rio Grande do Sul sob o falso pretexto de preservação, o que resultará na queda de 20% do PIB rural e em desemprego.
Não voto, porque Marina Silva é defensora do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, uma organização que invade, que rouba, que pratica cárcere privado, esbulho possessório e assassinatos, tudo isso debaixo de uma mística pretensamente religiosa.
Não voto, porque Marina Silva tem o apoio de organizações e partidos defensores do aborto e de outras bandeiras do relativismo moral.
Marina Silva não me representa. E certamente não representará a muitos que concordam com este artigo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Odres Novos...


“Não se põe vinho novo em odres velhos, do contrário os vinhos romperiam os odres e se perderiam ambos. Mas coloca-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”. (Marcos 2:22).

Incontestavelmente, Jesus era um mestre na arte de educar e comunicar. Ao contrário dos fariseus de ontem e dos teólogos de hoje, sempre em busca da palavra mais rebuscada, que mais esconde que revela, Jesus explanava as verdades espirituais de uma forma acessível, usando expressões e figuras de linguagem conhecidas daquele povo campesino. Conseguia, desta forma, se fazer entender tanto pelo povo simples quanto pelo erudito sofisticado, ainda que seja forçoso reconhecer que estes últimos demoravam muito mais a entender sua desconcertante clareza.
É o que ocorre nesta passagem do vinho novo em odres novos, um jeito criativo de dizer que, na vida de qualquer ser humano, a prática dos princípios bíblicos sempre deve vir depois de uma transformação genuína no coração.
Quando eu era mais jovem, sempre que lia esta passagem pensava que o “odre” era algo vagamente parecido com um vaso de barro, como aqueles que volta e meia vemos nos filmes bíblicos. E ficava com a impressão de que, uma vez envelhecido, um odre já não tinha mais serventia. Felizmente, eu estava errado, pois Jesus jamais usaria uma comparação que pudesse dar este tipo de conclusão. Um odre, conforme o que se usava na época, nada mais era do que um tipo de recipiente feito com couro de cabrito. Tratava-se, portanto, de um vaso com bastante maleabilidade, e isso permitia que o vinho novo pudesse fermentar com bastante liberdade. O odre, com a fermentação do vinho, ia adquirindo as formas mais estranhas, mas com o passar do tempo, de fato se tornava enrijecido e quebradiço.
O odre, sem dúvida, representa o coração do crente. Quando temos um coração “novo”, ou seja, renovado por uma fé viva, estamos aptos a receber o vinho novo da Palavra de Deus. No entanto, com o passar do tempo, infelizmente muitos vão deixando de ser sensíveis à voz interior de Jesus, e vão ficando com o coração enrijecido, que se quebra diante de qualquer dificuldade.
Mas algo maravilhoso que eu aprendo a respeito desta palavra, é que um odre velho podia voltar a ser novo. Os vinhateiros tinham o costume de restaurar os odres velhos umedecendo o couro com óleo. Quem estuda o Velho Testamento sabe que o óleo é um símbolo do Espírito Santo, cuja força reanima a vida daqueles que já estão com o coração pesado, cansado e quebradiço.
O vinho de Deus envelheceu dentro do seu coração? Sente-se insensível ao agir de Deus? Peça para o óleo do Espírito Santo renovar sua vida, e com certeza coisas novas da parte de Deus virão até você!
Deus te abençoe abundantemente.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Oposição contra Deus


"Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação.". Apocalipse 13:5-7

Quero pedir licença aos leitores deste espaço, acostumados a reflexões mais devocionais, para abordar um tema mais focado no nosso cotidiano atual, mas que também tem sérias implicações espirituais. Diante de um noticiário com tantos escândalos na política, um assunto de grande relevância passou desapercebido. A Procuradoria Regional dos Direitos Humanos de São Paulo, um braço do Ministério Público, ajuizou uma ação civil pública pedindo que a União remova bíblias e crucifixos das repartições públicas federais. A argumentação da ação: o Estado brasileiro é laico, e não poderia ostentar símbolos de uma crença sem “ofender” as demais. Noutro episódio, recentemente, a Confederação Brasileira de Futebol anunciou a intenção de proibir que os jogadores utilizem, embaixo de seus uniformes, camisas com frases bíblicas ou de qualquer outra motivação. A justificativa, neste caso, é parecida com a outra: a manifestação de fé de um ou outro jogador (os evangélicos, principalmente), pode “ofender” alguma pessoa.
O que está em curso, tanto na ação judicial quanto na decisão desportiva, é uma marcha de aberto preconceito anticristão. Estão corretos os que dizem que o Estado brasileiro é laico (não endossa nenhuma religião oficial), mas Estado laico não significa Estado laicista (que promova abertamente a não-religiosidade), muito menos Estado ateu (que proíba claramente a crença em Deus). E vale dizer que a boa doutrina política consagra que um país não é formado somente pelo Estado (aqui entendido como o governo). Um país é formado por Estado, Território e Nação. O Estado brasileiro pode ser laico, mas a Nação, a imensa maioria da população, professa a fé em Deus.
Em nome de uma falsa razão, está em curso um pensamento típico de regimes totalitários. Não se pode simplesmente apagar a Bíblia e a Cruz da história da nação, como se a fé cristã não tivesse tido qualquer participação na formação sócio-cultural do país. Não se pode impedir que um jogador de futebol, ou qualquer cidadão, manifeste abertamente sua fé, sob falsos pretextos de “ofender” alguém. Ora, que valores tão ofensivos uma camiseta com frases bíblicas pode encerrar? A mensagem do amor ao próximo? O perdão? A convivência solidária? Em que isso pode deixar alguém “constrangido”? Com todo o respeito, se alguém se sente constrangido por essa mensagem, o problema é de quem se constrange, não da mensagem ou do mensageiro.
É preciso que os cristãos estejam vigilantes, e se preparem. O livro de Apocalipse fala claramente a respeito do Espírito do Anticristo. A Segunda Carta aos Tessalonicenses, capítulo 2, versículo 4, afirma que esse espírito “se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou objeto de culto; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”. A Falsa Razão, que tenta assumir o lugar de Deus no mundo e na história, já está fazendo das suas.
Deus te abençoe abundantemente.