sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Pergunta de Isaque


Pintura de Laurence de la Hire, 1650

“Então Isaque perguntou a Abraão, seu pai: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”. - Gênesis 22.7

Um dos textos mais impactantes e conhecidos do Antigo Testamento é a narrativa de Gênesis 22, onde Deus exige de Abraão que ofereça Isaque, seu filho predileto, em sacrifício. Apesar de consternado, Abraão obedece e prepara tudo – mantimentos, transporte, e o próprio filho – para o sacrifício que deveria ser feito no monte Moriá. O sacrifício não foi consumado por intervenção direta de Deus, que vendo a obediência e a fé de Abraão, recompensou-o com a promessa de se tornar ‘Pai de Muitas Nações’. Os sábios judeus chamam este episódio de “Akedá”, e louvam tanto a obediência de Abraão quanto a coragem de Isaque, pois no entendimento da tradição judaica, o jovem teria pressentido que se tratava de um sacrifício a Deus, e se submetido.
De fato, temos motivos para crer que Isaque seria capaz desta perspicácia, pois em determinado momento da caminhada, é ele que faz uma pergunta que certamente colocou um nó na garganta do velho Abraão: “Pai, estou vendo a lenha e estou vendo o fogo, mas onde está o cordeiro?”.
O costume de oferecer cordeiros em sacrifício a Deus, encarado pelos judeus antigos como uma ordenança sagrada, apontava para o sacrifício em que Jesus, séculos mais tarde, ofereceria sua própria vida por nossos pecados. Não por acaso, João Batista o apresentou à Galiléia como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
É por isso mesmo que a pergunta feita por Isaque a Abraão permanece atual nos dias de hoje. A igreja de nossos dias pratica um culto triunfalista, onde o centro da adoração não é mais Jesus, o Cordeiro de Deus, mas sim os desejos e angústias dos homens. As pessoas são incentivadas a ir à Casa de Deus para buscar soluções para seus males, como quem toma um profilático qualquer, mas e quanto ao Cordeiro? Existe lenha (materialismo), e existe até fogo (manifestações pentecostais), mas onde está o Cordeiro?
Felizmente, podemos confiar na resposta que Abraão, sabiamente, ofereceu a Isaque: “Deus proverá o Cordeiro”. Ainda que nos dias de hoje muitos líderes prefiram oferecer soluções enganosamente fáceis e uma teologia sacrificial que nada tem a ver com o Evangelho da Graça, o Cordeiro sempre se manifestará a todo aquele que se dispuser a viver com Cristo no centro de sua vida, de suas prioridades, de suas escolhas.
Ele mesmo nos avisou que o caminho seria estreito. Mas se andarmos com o Cordeiro, estaremos sempre na melhor companhia.

Que Deus te abençoe abundantamente.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Usurpadores do Trono?


Então Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros, e cavaleiros, e cinqüenta homens, que corressem adiante dele (1ª Reis, 1:5)

Ao longo de seu profícuo reinado sobre a terra de Israel, o rei Davi, que gostava de chamar a si mesmo de ‘mavioso salmista de Israel’, sofreu duas tentativas frustradas de lhe tirarem o poder real. Curiosamente, as duas foram protagonizadas por filhos seus: Absalão e Adonias.
Absalão era o filho mais belo e mais carismático do já maduro rei Davi, e conta a Bíblia que ele iniciou sutilmente seu plano de tomar o poder, contribuindo para gerar um sentimento de revolta no povo. Se posicionava estrategicamente à porta do Palácio, para receber a todos os que pretendiam ser ouvidos pelo rei, e abraçava ao povo simples que para lá acorria. Aos poucos, muitos do povo passaram a supor que, talvez, Absalão desse um rei melhor que seu pai Davi. Por algum tempo, ele de fato conseguiu usurpar o Trono, mas acabou encontrando a morte pelas mãos do general Joabe, fiel aliado de Davi.
Muitos anos mais tarde, Davi já era bastante idoso, e os seus ministros saíram em busca de uma mulher que o aquecesse. Encontraram a jovem Abisague, sunamita a quem a Bíblia descreve como ‘formosa’. Pouco depois do surgimento de Abisague no Palácio, Adonias resolve que precisava reinar urgentemente, e tenta liderar uma mobilização política para fazê-lo rei da nação. A intervenção de Bate-Seba, mãe de Salomão, foi decisiva para que Davi coroasse, em vida, ao filho Salomão, a quem Deus havia prometido o trono. Passado algum tempo, Adonias vai a Bate-Seba e pede que, já que não ficou com o trono, ao menos pudesse ter Abisague, a criada de Davi, como esposa.
O contexto deixa claro que a razão que motivou Adonias a querer usurpar o Trono de Davi foi a paixão por Abisague, que tinha a tarefa de cuidar de um homem idoso. Salomão considerou o pedido um verdadeiro absurdo, e Adonias encontrou a morte.
É importante destacar que a Bíblia apresenta Davi como ‘um homem segundo o coração de Deus’. Portanto, é perfeitamente coerente analisarmos este episódio á luz das nossas prioridades, pois muitos cristãos tem usurpado, todos os dias, um trono que pertence a Deus. Uns, como Absalão, pelo desejo de poder. Outros, como Adonias, pela luxúria.
A ninguém cabe usurpar o Trono e a Autoridade de Deus nas nossas vidas. Quando ministros de Deus, que se apresentam como servos de Cristo, comportam-se como ladrões do rebanho, estão abusando de uma autoridade que não lhes pertence. Quando usam os velhos e surrados chavões do estilo ‘quem manda aqui sou eu’, estão deixando do lado de fora aquele que efetivamente deveria mandar: o Espírito Santo.
Quer ser bem sucedido e viver muitos anos? Deixe intacto o lugar que pertence a Deus na sua vida, e não tente assumir um controle que pertence a Ele. Confie plenamente em sua Autoridade, e Ele te guiará por veredas tranqüilas.
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Vencendo as Perseguições...




Gloriamo-nos também das tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência a firmeza, e a firmeza a esperança” (Romanos 5:3-4)

Os apóstolos de Jesus Cristo, ainda sob o vivo entusiasmo da experiência transformadora do Pentecostes, em que receberam o batismo com o Espírito Santo, pregavam com entusiasmo o Evangelho em todas as vielas e praças de Jerusalém. Como costuma acontecer com quem traz uma mensagem nova, logo foram vistos como ameaças pelos fariseus, os quais providenciaram para que fossem presos. Não puderam mantê-los na cadeia por muito tempo sem uma acusação formal que se sustentasse, mas antes de soltar Pedro e João, trataram de aplicar-lhes uma bela surra, como um ‘corretivo’. A idéia é que funcionasse mais como uma espécie de aviso a outros que tentassem fazer o mesmo, mas a narrativa de Atos dos Apóstolos logo deixa claro que não deu certo: “Retiraram-se pois da presença do sinédrio, regozijando-se de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus (Atos 5:41)”.
Eram os apóstolos masoquistas? Tinham baixa auto-estima a ponto de se sentirem satisfeitos por sofrer afrontas e açoites? Aos olhos de nossa natureza humana, nada pode ser mais indesejável do que sofrer qualquer espécie de afronta, seja ela física ou psicológica. A violência é o principal instrumento de dominação dos poderosos e ditadores ao longo dos séculos, mas nunca deixaram de surgir heróis da Fé. Hoje, eles continuam surgindo no horizonte religioso. Pessoas que não negociam seu ministério por valores financeiros, não se rendem aos modismos anti-bíblicos e torcem o nariz para as disputas de poder dentro das estruturas eclesiásticas. Que motivação pode ser capaz de fazer alguém resistir diante de pressões deste tipo?
O apóstolo Paulo afirmou: “Já não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2:20)”, concordando espiritualmente com a assertiva de Jesus: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. (Mateus 16:25). Quando vivemos exclusivamente para Cristo, quando nossa vida está tomada por um sentido de missão, de propósito, podemos vencer todas as perseguições, pois não estaremos mais nos importando tanto com nossa própria vida, mas entendendo-a como um mecanismo para que se cumpra um propósito. A missão precisa ser cumprida, não importa quantas afrontas sejam necessárias.
Está sendo perseguido? Sofre o alvo de mentiras invejosas contra você? Anime-se! Jesus disse que pessoas como você seriam consideradas ‘Bem-aventuradas’. Confie em Jesus e no propósito que Ele te concedeu, e você passará incólume por todas as afrontas e perseguições.
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Princípios de Autoridade



Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o seu direito. (Isaías 42:3).

Mais ou menos por volta do ano 1998, quando corria solta a febre da “Auto-Ajuda” e do “Pensamento Motivacional”, um estudo curioso foi publicado na Scientific Magazine, e falava sobre o poder da raiva. Lembro de ter lido pequenas partes da versão do estudo em português, que consegui com alguma dificuldade (estávamos na pré-história da Internet, e coisas como Google e Youtube ainda eram sonhos de filmes de ficção científica). De memória, lembro que o estudo dizia que as pessoas costumam associar violência e raiva à competência, e que aqueles que são mais agressivos tem reputação de ser mais enérgicos, mais ousados, e portanto, mais aptos para cargos de liderança. Alguém que, pelo contrário, for civilizado e brando no trato com as pessoas, pode até ir bastante longe na carreira, mas em alguns casos, tenderá a ser visto como inadequado, sem ‘pulso firme’ para uma atribuição de chefia.
Este padrão, sem dúvida alguma, cristalizou-se nos últimos anos. Salvo raras exceções, que confirmam a regra, os livros voltados para o aprendizado de liderança no mundo corporativo e empresarial ensinam que a violência, bem dosada, é uma ferramenta poderosa para garantir a ascensão profissional. Mesmo no universo da fé cristã isso tem se tornado comum. Pastores comprometidos com as visões da assim chamada ‘Teologia da Prosperidade’ ensinam que o cristão precisa ser agressivo, violento mesmo, se quiser conquistar sua benção. Em nome de seu objetivo, lhe seria permitido até encostar Deus na parede, com palavras do tipo ‘eu não aceito’, ‘a Bíblia diz tal coisa então eu tenho direito’. E de preferência gritando, porque o berro é um sinal de autoridade. O mais triste é perceber o quanto alguns destes líderes acreditam mesmo nisso. Basta ver a forma como tratam seus assessores mais diretos, quando o povo não está olhando.
Será que este era o padrão de autoridade seguido por Jesus? O profeta Isaías, 700 anos antes de Cristo nascer, nos fala como seriam as atitudes do Messias em relação a este particular: Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o seu direito. (Isaías 42:3).
Somente alguém com um perfil de liderança sereno como o de Jesus podia ser seguro o suficiente para, num gesto de despedida, lavar os pés dos discípulos. É bom lembrar que a prática de lavar os pés de uma pessoa, hábito comum quando alguém ia visitar um amigo em casa, era feito por um escravo. Jesus não fez isso porque tivesse baixa auto-estima.
Jesus não é visto em nenhuma passagem das Escrituras gritando com pessoa alguma, a nao ser com a tempestade e os demônios. A verdadeira autoridade não é exercida no berro. Siga o modelo de Jesus, e sua forma de viver será sempre mais eficaz.
Deus te abençoe abundantemente.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Qual vai ser seu legado?



“E andou Enoque com Deus; e já não era, porquanto Deus o tomou para si” (Genesis 5:24c)

Um dos personagens bíblicos do Antigo Testamento que mais me chama a atenção, é justamente um sobre o qual a Bíblia escreve pouquíssimo. Enoque, um patriarca bíblico de tempos bem anteriores a Noé (isso seria mais ou menos o período da pré-história), apesar de ser um dos personagens mais longevos de toda a vida, com trezentos e sessenta e cinco anos, possui uma das biografias mais curtas do mundo. Uma linha apenas bastou para resumir tudo o que precisamos saber sobre ele: “andou trezentos anos com Deus e já nao mais existia, porque Deus o tomou para si”. Judeus e cristãos costumam entender, a partir desta passagem, que Enoque não sofreu a morte física, e que foi elevado aos céus sem passar pela experiência da morte. O que nos impressiona, no entanto, é que as realizações de trezentos anos de vida foram resumidas em uma só frase: “andou com Deus”. Outros seres humanos, que viveram bem menos, enchem páginas e páginas de livros e biografias com suas realizações, porque a maior preocupação do ser humano, sem dúvida, é o seu legado.
A maior parte de nós convive com a dura realidade de que a maioria de nossos esforços não vai durar. Empresários dedicam suas vidas a consolidar uma empresa, que perece assim que passa aos herdeiros. Políticos se esforçam para ressaltar suas idéias, e quando morrem são esquecidos. Mesmo no ambiente religioso, alguns líderes esgotam todos os recursos de promoção pessoal disponíveis, e quando são transferidos, não deixam saudades.
Se queremos de fato construir um legado pelo qual possamos ser lembrados, o melhor investimento que podemos fazer não consiste em obras físicas ou ações meritórias, mas sim nas pessoas. As amizades que construímos, as pessoas que são de fato importantes para nós, estas sim que determinam de que forma seremos lembrados quando deixarmos este mundo. É isto que determina se construiremos nossa ‘casa’ sobre a areia ou sobre a rocha.
A forma como tratamos as pessoas é que demonstra de fato nossas prioridades na vida, e no final das contas, é tudo o que fica. Jesus foi mestre em lidar com as pessoas, e mesmo as que tinham valores diferentes dos dele tiveram espaço no seu convívio, como Judas Iscariotes.
Encerro esta reflexao com duas perguntas que li, num artigo brilhante de Elisete Malafaia: Como você gostaria de ser lembrado quando partir? E o que você está fazendo neste momento para atingir este objetivo?

Deus te abençoe abundantemente.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Uso do Poder


“O maior dentre vós será vosso servo” – Mateus 23:11

Não entendo nada de futebol. Costumo dizer apenas que sou torcedor do Grêmio porque, na tradição combativa da nossa cultura, gaúcho que é gaúcho tem que ter posicionamento definido em todas as questões, inclusive no esporte. Mas mesmo minha ignorância oceânica sobre o assunto não me impediu de ver que, nesta terça-feira (11 de maio de 2010), o país parou diante da TV para ver o técnico Dunga anunciar a escalação oficial, os convocados para a Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo na África do Sul. Se fosse um presidente eleito anunciando seu novo ministério, com certeza não despertaria tanto interesse. Talvez por isso mesmo o Brasil tenha tantos craques de bola e tantos políticos lamentáveis, mas isso é assunto pra outro texto.
O que pude observar, aqui ou ali, nas inevitáveis críticas à lista de atletas convocados, é que Dunga preferiu atletas de talento mais modesto, porém mais pacatos e cordatos, a outros nomes que deram ‘show’ na Copa do Brasil, mas de temperamento mais indócil. Meu irmão mais velho, que foi repórter esportivo muitos anos de sua carreira, escreveu algo interessante: “Comandante inseguro prefere comandados bonzinhos que digam amém a tudo. Dunga só levou os escoteiros e deixou de fora os problemáticos”.
Longe de mim deixar de mencionar que a disciplina dos convocados lhes valeu a convocação, mas a questão aqui é outra. O bom uso do poder e da liderança é um tema que transcende o futebol. Na política, na escola, no mundo do trabalho, e especialmente na igreja, não é difícil nos depararmos com pessoas que tem dificuldade em trabalhar com quem tenha coragem de pensar autonomamente. Muitos líderes preferem a comodidade de trabalhar com quem não externa opiniões divergentes – ainda que pense – do que o desafio enriquecedor de conviver com diferentes perspectivas do ‘ser’ humano.
Um pastor que conheci, confessou certa vez, num raro momento de sinceridade, que a maior dificuldade que encontrou na nova igreja que foi pastorear era justamente lidar com pessoas que tinham sido discipuladas por outros líderes antes dele. ‘Nos locais que eu trabalhei antes, todos tinham sido formados ao meu modo, e era mais fácil’. Creio que na época ele não compreendeu a rica oportunidade que Deus estava lhe dando, de exercer o poder como um serviço, não como um mecanismo de controle como fazem os inseguros, que sempre se tornam autoritários. Ao menor sinal de objeção de qualquer que seja, partem para o surrado ‘quem manda aqui sou eu’ ou mesmo retiram o incômodo personagem de suas funções, acusando-o de estar ‘fora da visão’.
Jesus nos dá um poderoso ensinamento a respeito disto. No capítulo 20 de Mateus, surge uma controvérsia entre os apóstolos sobre quem deles era maior, e Jesus intervém dizendo que, na fé cristã, aquele que quiser liderar deve servir a todos. Mais tarde, ele próprio daria este exemplo sem dizer uma palavra, lavando os pés dos discípulos. Ora, Jesus não fez aquilo porque tivesse baixa auto-estima. Pelo contrário, era seguro de sua posição a tal ponto que fez a opção por servir.
Jesus não excluiu Pedro do grupo de apóstolos por seu temperamento agressivo, nem mesmo Judas por sua capacidade de dissimulação. Ter trabalhando com tamanha competência com pessoas tão diferentes é uma das razoes pelas quais ele é o maior Líder de todos os tempos. E a boa notícia, é que ele tem lugar para você no seu time.
Que Deus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Falando um pouco de gratidão...



Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. (Salmo 103: 1-2)

Apenas recentemente a Psicologia tem se voltado para o estudo de emoções positivas, como a gratidão. Um movimento chamado Psicologia Positiva, iniciado mundialmente em 1998 por Martin Seligman, constatou que a psicanálise sabia muito sobre depressão, narcisismo, egolatria e outras patologias, mas quase nada sobre os bons aspectos da mente humana, aqueles que, de fato, são responsáveis pelo desenvolvimento da pessoa. Estudos bastante recentes apontam a Gratidão como um elemento indispensável para o equilíbrio da mente humana, para a construção da personalidade e do caráter. A capacidade de responder positivamente ao afeto ou ao gesto benevolente de outra pessoa é fundamental para uma vida emocionalmente sadia.
A própria Psicologia reconhece seu atraso nesse assunto. Em relação à Bíblia, o atraso é de mais de quatro mil anos, se levarmos em conta o tempo em que surgiram os cinco primeiros livros da Bíblia, chamados pela tradição cristã de Pentateuco e pelos judeus de Torah Sagrada. É nestes livros que encontramos histórias que simbolizam os aspectos negativos da ausência de gratidão na vida espiritual. No capítulo 11 do livro de Números, encontramos relatos de como o povo hebreu queixava-se, no deserto, por causa das dificuldades que passavam. Queixavam-se do maná que era fornecido diariamente por Deus, e chegavam a dizer que tinham saudades dos melões e dos manjares do Egito. Quase ninguém era capaz de agradecer pelo fato de Deus os ter tirado da escravidão, de um contexto de permanente tortura e sofrimento.
A falta de gratidão, mais do que um simples desequilíbrio ideológico (como hoje reconhece a Psicologia), é um desvio espiritual, responsável por retardar muitos dos projetos pessoais do ser humano. Muitas pessoas se perguntam por que seus sonhos não se realizam, porque suas aspirações não acontecem, porque Deus não lhes concede o que desejam. E são incapazes de reparar naquilo que já receberam, ás vezes em circunstâncias difíceis.
Pessoas que reclamam quando o bife vem mal passado, incapazes de lembrar da época em que passavam fome.
Pessoas que reclamam do salário que ganham ou do chefe que tem, incapazes de lembrar de quando procuravam emprego.
Filhos que reclamam da mãe por não lhe dar um novo tênis de marca, enquanto ela veste chinelo de dedo.
Pessoas que reclamam da igreja onde estão e dos irmãos de fé, incapazes de lembrar de quando chegaram ali enfermos, fracos, e receberam o carinho e a oração de muitos.
A ausência de gratidão é companheira da insegurança. Muitas pessoas tem até medo de aceitar favores, por não suportarem a idéia de se ver moralmente presas a outros. Aqueles que, no entanto, conhecem o poder da gratidão, sabem que ela jamais escraviza. Ao contrário, nos liberta de amarras que impedem nosso crescimento psicológico e espiritual.
Você viveu mais este dia? Agradeça a Deus, que lhe permitiu esta vitória.
Deus te abençoe abundantemente.