Peço permissão para compartilhar com os leitores habituais deste espaço uma apreciação generosa a respeito do meu livro "Sementes de Vitória", lançado em 2009. Trata-se de uma resenha feita pelo amigo Luís Borges, um talento intelectual do pentecostalismo, que conheci durante o Seminário Regional de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho Quadrangular em Porto Alegre.
Luís Borges é um verdadeiro erudito, na legítima acepção da palavra. Dotado de uma capacidade vigorosa de pensamento e de uma profunda generosidade pessoal, foi um dos amigos com que Deus me presenteou recentemente. É Coordenador Regional de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho Quadrangular em Pelotas, respondendo pela gestão do ensino bíblico em mais de 40 Igrejas. É também professor de Literatura, docente do programa de Formação Pedagógica do Centro Federal de Tecnologia - CEFET de Pelotas, membro do Instituto Cultural Simões Lopes Neto. Aliás, Borges é um especialista na obra do escritor pelotense, sobre cujo trabalho se debruça para uma tese de doutoramento.
As palavras dele são, pra mim, um prêmio, que tomo a liberdade de compartilhar neste blog.
Prezado pr. Cláudio Moreira
A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a inspiração do Espirito Santo estejam com o senhor e sua família!
Na noite anterior à sua conferência, enquanto esperava os pastores João Batista e Fabiano virem me buscar para jantar utilizei o tempo para ler o seu livro. Aliás, o reli durante a viagem de retorno a Pelotas. Posso assegurar-lhe que foi leitura de sobejo proveito. Sua obra será, com certeza, cada vez mais confirmada como de grande valia para líderes e todos aqueles que buscam uma visão mais crítica da sociedade, a partir de uma perspectiva cristã, uma vez que os textos ali constantes encerram interessantes reflexões sobre valores, princípios e atitudes espirituais solidamente calcadas na Sagrada Escritura, mas que por seu alcance universal atingem também o homem que ainda não crê.
O estilo em que a sua obra está vazada é agradável. A linguagem, de uma singeleza elegante, deixa entrever uma erudição sem qualquer pejo de pedantismo. A relevância dos temas, a clareza da exposição e a originalidade das abordagens fazem de seu livro um trabalho notável.
Um outro aspecto positivo foi o fato de o senhor ter publicado os artigos, que posteriormente vieram a constituir seu livro, na imprensa diária. Com efeito, a Igreja precisa dialogar com a sociedade , eis que um grande número de pessoas ainda vaga, nesse mundo sem qualquer direção, ansiando por respostas. Por isso a mensagem cristã deve ultrapasse os confortáveis ecos do púlpito, para ir ao encontro daqueles que mesmo sem freqüentar uma igreja lêem jornais, ouvem rádio, assistem TV e acessam internet.
Os temas complexos e profundos que o senhor aborda, considerando o espaço exíguo em que foram desenvolvidos, exibe rara qualidade de síntese, ideal para o leitor hodierno de fôlego curto.
Sua oba, fonte de sabedoria e esclarecimento, certamente nos ajudará a prevenir os modismos, as teologias distorcidas, as heresias e os falsos profetas, mantendo-nos vigilantes conforme a advertência do Senhor Jesus: ?Sede espertos como as serpentes e puros como pombas? (Mt 10, 16).
A conclusão de suas crônicas confere aos textos um caráer verdadeiramente evangelizador, servindo de chamamento não apenas a uma reflexão, mas a uma mudança de atitude (conversão).
Transmita os meus parabéns ao Bispo Basso e sua esposa pela feliz iniciativa de abonarem a sua obra, que há de prestar ótimos préstimos à causa do Reino.
Presenteiei Sementes de Vitória aos meus pastores, reverenda Neida e Pr. Júlio.
Um grande abraço, que as Bênçãos de Deus continuem recaindo abundantemente sobre o senhor e os seus!
Luís Borges
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Vivendo por fé: A Reforma, 493 anos

"Mas o justo viverá pela fé"....(Habacuque 2:4b)
Um frade agostiniano relativamente jovem atravessou a passos largos a praça de Wittenberg em uma manhã outonal de 1517. A cadência firme dos seus passos não deixou de chamar a atenção dos que transitavam, uns a passeio, outros a trabalho como o vendedor de frutas e o artesão que trabalhava ao ar livre. O frade cruza a praça com firmeza em direção à Catedral, em cuja porta de mogno fixa um cartaz contendo uma Convocação para um Debate. O documento chama-se Disputatio pro delaratione virtutis indulgentiarum, e expõe, em 95 teses, uma firme contestação ao abuso clerical na venda de indulgências. Com este simples gesto, naquele longínquo 31 de outubro, o monge alemão Martinho Lutero iniciou uma revolução que sacudiu a Europa e lançou os alicerces da Reforma Protestante, o movimento que, no dizer do cientista político Robert Dahl, “inaugurou o pluralismo na cultura ocidental”. Mas a verdadeira revolução havia acontecido anos antes, nos primeiros anos da sua formação sacerdotal, quando ganha uma Bíblia de presente do seu mentor espiritual, João Staupitz, vigário-geral dos agostinianos, onde leu o trecho de Romanos 1:17, que mudou para sempre sua maneira de compreender a fé cristã: “O justo viverá pela fé”.
Esta expressão, que foi central na pregação de Lutero e do apóstolo Paulo de Tarso, merece ser revisitada hoje, quando a Reforma Protestante completa 493 anos. E nos remete ao tempo em que foi ouvida pela primeira vez, por volta do ano 600 a.C, em resposta a uma oração do profeta Habacuque, testemunha de um dos períodos mais críticos da história de Judá. Com o sistema legal arruinado, a injustiça social e a iminência de uma invasão da Assíria, levaram o profeta a proclamar: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: violência! E não salvarás?”. (Hc 1:2)
O desabafo de Habacuque ecoou no coração de Lutero quando via o deprimente espetáculo da venda de indulgências pelo frei João Tetzel na Alemanha. E hoje, quase meio milênio depois, quando muitos pregadores ‘evangélicos’ negociam as bênçãos e os favores de Deus conforme o vulto da oferta financeira dos fiéis, muitos cristãos, anelando pelo Cristianismo bíblico e verdadeiro, se questionam: “Até quando?”. Muitos já nem esperam mais pela resposta de Deus a esta pergunta, e há muito deixaram de acreditar na igreja como instituição. São pessoas que amam a Jesus, mas não querem mais nada com a Igreja.
Após pronunciar sua oração, Habacuque foi para a torre de vigia, esperar a resposta de Deus. Não tomou nenhuma atitude insensata, não agiu por impulso. E a resposta de Deus ao profeta, dizendo que “o justo viverá pela fé”, ecoa ainda pelos séculos, ressoada pela pregação do apóstolo Paulo aos gentios e pela coragem de Lutero na Alemanha. As dificuldades não poderiam mais ter poder para desanimar o profeta.
O livro de Habacuque termina com uma linda canção de louvor: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento, todavia eu me alegro no Senhor e exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3:17-18). Ao redor, a situação continuava praticamente a mesma, mas a maior mudança havia acontecido no coração do profeta, que não mais permitiu que as circunstâncias destruíssem sua confiança em Deus. Ao encontrar a fé, Habacuque recuperou a narrativa sobre si mesmo.
Esta é minha oração sobre a igreja contemporânea. Muitos são os desafios, mas se continuarmos crendo que “o justo viverá pela fé”, como Habacuque, Paulo e Lutero, teremos o poder de Cristo Jesus para transformar as circunstâncias.
Que o Senhor Jesus te abençoe abundamentente.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
A ira do Twitter contra Silas Malafaia

Sou frontalmente contra as excentricidades teológicas que Silas Malafaia tem abraçado ultimamente. Entretanto, a questão aqui não trata de Teologia, e sim de Política, ou melhor dizendo, da tão desejada qualificação da presença evangélica no debate político brasileiro. E acho que falta reconhecer que é justamente a pessoas como Paschoal Piragine Jr. e Silas Malafaia que isto está acontecendo. Nesta eleição presidencial, depois de tantos epísódios como oração da propina e máfia das ambulâncias, estamos finalmente vendo ministros cristãos pautar temas de relevância para a sociedade, como a questão do aborto, por exemplo. Aliás, não fosse por estas manifestações, o assunto passaria batido na cobertura das eleições.
E estranho porque muitos ignoraram o fato de que Silas tem razão ao apontar a AMBIGÜIDADE da posição de Marina. Ora, um cristão não deve tergiversar sobre um tema desses com a conversinha de que "cabe à sociedade decidir". Se fosse assim, vamos logo fazer um plebiscito sobre linchamento de estupradores, já que boa parte da "sociedade civil" anseia por algo assim.
Marina faz jogo duplo pra não se queimar com os evangélicos nem com as bases tradicionais de seu partido: aquela turma "descolada" que gosta mesmo é de abraçar por-de-sol e fazer passeata fumando um baseadinho. E defender o aborto, claro.
Outra coisa. Silas já cumpriu um grande papel pra democracia do país: Derrubou a máscara de "tolerância" e "bonomia" com que os militantes marineiros tentavam ludibriar a opinião pública. Antes, eles quase não escondiam o constrangimento por Marina ser "evangélica" (o que pra eles equivale a retrógrada, medieval, atrasada, etc). Graças a Silas Malafaia, estão livres pra vomitar todo seu preconceito no Twitter. Sem ressentimentos.
Quanto a Caio Fábio, dizer o quê? Na certa está tentando recuperar a notoriedade dos bons tempos em que fabricava dossiês com aquele portento de moralidade pública chamado José Dirceu.
A Verdade é como Cristo: pode ficar enterrada certo tempo, mas ao terceiro dia sempre ressuscita.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Pr. Paschoal Piragine Jr, um profeta do nosso tempo.
O caráter do ministério profético, a despeito do que pensam alguns que não conhecem Bíblia, consiste em anunciar a verdade e denunciar o erro. Se tivermos estas características em conta, não há como deixar de reconhecer o caráter profético desta ministração do pastor Paschoal Piragine Jr, pastor sênior da Primeira Igreja Batista de Curitiba.
http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI
http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Relativismo laico, um Totalitarismo moderno

“Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” – Tiago 2: 12
O parlamento da França aprovou na semana passada a criação de uma subcomissão parlamentar que trate de propor meios legais para proibir a disseminação do uso da burca e do nihab entre mulheres muçulmanas. O nihab é aquilo que canhestramente chamamos de véu, e a burca é uma grossa vestimenta que cobra a mulher da cabeça aos pés, deixando apenas um espaço para os olhos. Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos, o mundo ocidental foi apresentado à vestimenta, logo estigmatizada como um símbolo de opressão e humilhação contra a mulher. Aliás, é em nome de uma alegação pretensamente humanista que o premier francês, Nicolas Sarkozy, defende a proibição completa destas vestes. “Não terão lugar na França”, disse o primeiro-ministro francês.
Todavia, o mundo civilizado surpreende-se ao ver passeatas de mulheres muçulmanas exigindo o direito de poder utilizar as vestes ditas opressoras. Para muçulmanos do ramo xiita, tais vestimentas são vistas como um dever sagrado, e – ironia das ironias – as mulheres muçulmanas recusam-se a aceitar a ‘proteção’ que a lei francesa lhes quer oferecer.
Este fato me fez lembrar de um outro incidente, este já bem nosso, no mês passado, quando a direção do Hospital de Clínicas de Porto Alegre resolveu retirar dali a capela católica, existente há 22 anos, para criar um certo “Espaço da Espiritualidade”, com a pretensão de representar todas as crenças. A direção do hospital alegou que o ‘privilégio’ a uma única religião é manifestamente inconstitucional.
Sou um pastor evangélico. Poderia aplaudir tanto a decisão francesa, por natural estranheza ao hábito da burka, quanto a da direção do Clínicas, já que não sou católico. Entretanto, vejo em ambas as decisões uma distorção absurda, proveniente de um mesmo pensamento ora dominante: o Relativismo Laico, em nome do qual se advoga que todas as crenças são iguais, ou, no mínimo, equivalentes.
É em nome deste mesmo princípio que certos escritores ateus despontam na Europa e América alegando que a religião – qualquer que seja – seria um veneno para o mundo. Como se a civilização moderna pudesse ser a mesma sem Agostinho de Hipona, Rambam, Maimônides, Averróis, Ibn In Saud, Martin Lutero, Confúcio e o maior de todos eles, Jesus de Nazaré.
A França, que legou ao mundo a defesa dos valores da “Liberdade, Igualdade, Humanidade”, quer transformar um grupo religioso em cidadãos de segunda classe, para que não possam praticar livremente as normas de sua religião. Estigmatiza os muçulmanos a exemplo do que a Europa fez, em épocas diferentes, com os judeus. A própria França já fez isso no século XX com os cristãos, que não podem mais expressar livremente sua fé nas praças locais. Aqui no Sul, o abuso é de outra natureza: Distorcer um princípio constitucional para tentar suprimir uma crença, substituindo-a por uma certa ‘religião da Natureza’, ao estilo dos místicos da chamada Nova Era.
Sou evangélico, mas não me sinto melindrado se vejo um crucifixo católico em um banco ou repartição pública. O fato de aquele objeto estar ali não constrange ninguém a ser católico, assim como os versículos bíblicos na sala da minha casa não constrangem nenhum visitante a tornar-se evangélico. E de mais a mais, querer apagar estes símbolos do espaço público equivale a tentar suprimir parte da história. Obscurantismo em nome de pretensos valores de igualdade.
O laicismo radical dos tempos modernos lembra muito os totalitarismos do passado, que sempre tentaram apagar da história as religiões, o Cristianismo em particular. Tentaram eliminar a cruz, acabaram sepultados abaixo dela. Mas no caminho, produziram montanhas de cadáveres e presos políticos por delito de opinião. Robespierre, Stalin, Pol Pot, Mao Tse Tung e Fidel Castro, além de ditadores, foram declarados inimigos de toda forma de fé.
Serve para hoje o alerta histórico do pastor luterano Martin Niemöller, um dos heróis da luta contra o Nazismo: Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Não fique só!

“E disse-lhes Jesus: a minha alma está profundamente triste, até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo” (Marcos 14:34).
Uma reportagem publicada pela revista Veja no já longínquo ano de 2001 falava a respeito dos singles, multidões de jovens que, por opção ou falta de sorte, vivem sós. Falava-se de um novo ‘mercado’ que vem sendo rapidamente assimilado pelo marketing, que esboçou produtos para solteiros, como refeições em porções menores, por exemplo. Naquela época, dizia-se que 9% dos lares já eram compostos por pessoas que moram sozinhas – 20 milhões de brasileiros. Hoje, nove anos depois, não faço nem idéia, mas com certeza temos um número bem maior. A maioria dos chamados singles diz que é feliz vivendo desta forma, mas até mesmo eles não gostam de se imaginar solitários para sempre.
A solidão é um fenômeno social que só tem crescido nos tempos modernos. O Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda define solidão simplesmente como “o estado do que se encontra ou vive só”. Apesar de correta, esta definição, embora correta, é insuficiente para compreender um estado psicológico e espiritual tão complexo, que envolve tantas outras facetas: falta de objetivo e significado de vida, desajustes familiares, sentimento de isolamento e separação, e até mesmo um certo Unattachment, expressão inglesa usada para definir a dificuldade que muitos seres humanos tem na relação interpessoal. A tradução mais aproximada desse conceito seria ‘inadequação’.
Estar só não é a única forma de as pessoas sentirem solidão. Psicólogos de renome como Kruger escreveram sobre o ‘isolamento social’, o sentimento de angústia que perpassa pessoas que, mesmo rodeadas de gente à sua volta, continuam sentindo-se solitárias. Isso costuma acontecer a pessoas dadas a extremismos psicológicos: os que têm baixa auto-estima se sentem desprezados por todos à sua volta, e os narcisistas não consideram ninguém dignos de sua companhia, preferindo caminhar sozinhos. É o tipo de solidão que ronda as pessoas que tem intimidade apenas com o dinheiro ou o Poder. Não por acaso, Freud e outros depois dele associaram o isolamento social às patologias mentais.
O homem é um ser social, já dizia Sócrates. Bem antes dele, o texto bíblico de Provérbios, escrito pelo Rei Salomão, já proclamava: “Aquele que vive isolado busca o seu próprio desejo, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Provérbios 18;1). Jesus experimentou, no Jardim do Getsêmani, o sentimento de maior angústia de sua vida terrena, por saber que horas depois sofreria os horrores da Cruz. Mas nesta hora de extrema tristeza, ao invés de se enfiar em um quarto escuro e chorar sozinho, Jesus rompeu o isolamento emocional e buscou a companhia de seus amigos, pedindo que ficassem junto dele. Mais que isso, ele buscou a Deus na oração. Muitos, por não lançarem mão deste recurso, acabam sucumbindo à depressão, à auto-piedade e, nos casos mais graves, ao suicídio.
A obra do Espírito Santo em nossas vidas é quem restaura nossa capacidade relacional com Deus e conosco mesmos. Quando dizemos que Jesus está conosco mesmo quando estamos sós, isso não é mera figura de linguagem. A presença consoladora de Cristo está de fato em nós quando declaramos nossa Fé, e é através d’Ele que podemos encontrar forças para romper o isolamento. É isto que a Bíblia quer nos dizer quando afirma que “Deus faz que o solitário habite em família (Salmo 68:6)”.
Não fique só! Convide Jesus para ser seu amigo hoje mesmo!
Deus te abençoe abundantemente.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
E depois da derrota?

Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; ando de luto; o espanto se apoderou de mim. Porventura não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo? (Jeremias 8:21)
Assisti, como todo brasileiro que conheço, na tarde de ontem, o jogo entre Brasil e Holanda, que acabou culminando com a eliminação da Seleção Brasileira da Copa da África do Sul. Por se tratar de um campeonato de futebol, esporte que galvaniza como nenhum outro os anseios de patriotismo brasileiro, um sentimento de consternação permeou todo o país. Embora a derrota pudesse ser previsível para alguns, muitos mantiveram a esperança até o fim, e nenhuma experiência humana é mais traumática do que a esperança frustrada.
Ao longo desta Copa, muitos irmãos evangélicos diziam que um time com tantos cristãos (Lúcio e Kaká em campo, Jorginho e Taffarel na comissão técnica, por exemplo) não poderia perder de jeito nenhum. Não os culpo, já que foram ensinados (melhor seria dizer ‘adestrados’) em um pastiche de evangelho mal lido e triunfalista, que ensina que verdadeiros cristãos jamais sofrem derrotas. Provavelmente, alguns cristãos que pensavam assim estão bastante confusos agora.
Havia pessoas assim em Israel, durante o reinado do rei Ezequias. Profetas que aconselharam o rei a desafiar para uma guerra o poderoso Nabucodonosor, rei da Babilônia, alguém que tinha um exército maior, melhor treinado e com maiores recursos. Mas os conselheiros do rei de Israel não pareciam prestar muita atenção nisso, e apelavam para frases de efeito do tipo “somos o povo de Deus, somos os tais, já vencemos esta guerra”.
Havia um único profeta estraga-prazeres que alertava para a derrota iminente. Por insinuar que o povo de Deus poderia ser derrotado, Jeremias foi preso, amordaçado, jogado dentro de um poço, e outras gentilezas. No entanto, como ele previra, a derrota aconteceu, e o profeta sofreu muito pelo povo que não o escutou. O Livro de Lamentações, escrito por Jeremias, é um poema triste sobre a desolação de Jerusalém.
Entender por quê Deus permitiu que Israel fosse derrotado é quase tão difícil quanto entender porque razão concedeu a Jeremias uma missão tão difícil, de avisar sobre a derrota a um povo que não estaria disposto a ouvir. A derrota, após a qual se seguiu um cativeiro de 70 anos na Babilônia, foi uma das experiências mais duras da história do povo judeu, mas depois que eles passaram por esta terrível experiência, foram definitivamente curados da idolatria, que antes volta e meia fazia os filhos de Israel se desviar do Deus verdadeiro. Somente após a derrota que eles aprenderam a não se fiar em seus méritos e confiar somente em Deus.
Ninguém gosta de quem avisa sobre derrotas, mas infelizmente elas são parte da vida. Mesmo o cristão mais devoto não está isento delas, e até mesmo o plano mais arrojado, feito pelo planejador mais metódico e persistente, pode falhar um dia. Vencedores não são aqueles que ganham sempre. Pelo contrário, em certos casos a vitória permanente produz os maus ganhadores, soberbos e presunçosos. Verdadeiros vencedores são aqueles que já conheceram derrotas, mas que sabem se levantar depois de cair.
Deus te abençoe abundantemente.
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